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Publicado em: 25/11/2016 às 15h00

Líder de grupo de extermínio tinha prazer em matar e se sentia 'justiceiro'

Seis pessoas estão presas pela execução de pelo menos 12 vítimas


- Correio do Estado

Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado

Assassino frio, que planejava os crimes, tinha prazer em matar por motivos banais e que até visitava o cemitério particular para “contemplar” as covas abertas por ele. Assim é resumido pela polícia o perfil de Luis Alves Martins Filho, o Nando, de 49 anos. Líder de grupo de extermínio que nos últimos cinco anos aterrorizou moradores do bairro Danúbio Azul, em Campo Grande, Nando e mais cinco pessoas estão presas pela execução de pelo menos 12 vítimas. Sétima ossada de vítima do grupo foi achada nesta manhã. 

 

Nesta sexta-feira, a Polícia Civil apresentou balanço final das investigações iniciadas em setembro. No total, desde que a Operação Danúbio Livre começou, em novembro, 17 pessoas foram presas, mas apenas seis foram identificadas pela polícia como integrantes do grupo criminoso liderado por Nando.

 

De acordo com a delegada Aline Sinott, que comanda a investigação, Nando se considerava “justiceiro” porque matava pessoas que eram consideradas ruins para o bairro. A maior parte das vítimas era usuária de drogas, cometia furtos e roubos e se prostituía, inclusive com Nando, para manter o vício.

 

Os homicídios tinham os mais variados motivos. Entre as vítimas há pessoas que deviam dinheiro para Nando, outras que faziam furtos no bairro e até quem discutia com o líder do grupo por não concordar com algum tipo de cobrança feita por ele.

 

Quando decidia executar um morador do bairro, Nando geralmente se juntava com os comparsas e levava a vítima até área do Jardim Veraneio, onde ele executava e enterrava o corpo de cabeça para baixo. O terreno se transformou em um “cemitério particular”, descoberto pela polícia neste mês.

 

“O Nando tinha tanto prazer em matar que ele até voltava para as covas onde enterrou para contemplar o que tinha feito”, conta a delegada.

 

O assassino também tinha costume de viciar adolescentes em drogas e convidá-los para programas sexuais para que o entorpecente fosse pago. Depois de viciados, muitos acabavam cometendo crimes no bairro para comprar as drogas e, para Nando, isso era inaceitável.

 

“Ele cometia os crimes sem menor remorso, não cobrava nada para matar. Ele fazia por gosto”, completa a delegada.

 

AS VÍTIMAS

Abaixo você confere a lista e o perfil de quem são as vítimas do grupo de extermínio que agiu por pelo menos cinco anos no bairro Danúbio Azul:

"Café", ainda não identificado - morto por Nando, Jean e Michel porque devia dois fretes para o Nando no valor de R$ 170.

"Alemão", ainda não identificado - morto por Nando e Jean em abril de 2015 porque vendeu TV furtada para Nando, e o dono acabou cobrando o líder do grupo.

Flavio Soares Corrêa, 25 anos – morto em abril de 2015 por Nando e Jean. Era usuário de drogas, cometia furtos e foi morto por ser "afeminado".

Bruno Santos da Silva, 18 anos - sumiu em 2013, era usuário e furtava. Foi morto porque tirou sarro de sobrinho do Nando que foi morto anos atrás.

Ana Claudia Marques, 37 anos – sumida em setembro deste ano, mãe de 6 filhos. Morta pelo Nando e Jean porque foi uma das primeiras a fornecer droga para viciar moradores do bairro.

Lessandro Maldonado de Souza, 13 anos - morto por Talita, Nando e Jean porque viu a Talita fazendo carinho em um traficante e ameaçou contar para o marido dela.

Alex Alves da Silva Santos, 18 anos - sumido em março, apelido de ladrão, mas contra ele não havia nenhum boletim de ocorrência, Morto por Nando e Vagner.

Eduardo Dias Limas, 15 anos – sumido em dezembro de 2015, morto por Michel e Nando porque furtou garrafas de depósito de bar que Nando estava montando.

Aline Farias da Silva, 22 anos – garota de programa mãe de dois filhos. Era amiga do Nando, que arrumava clientes para ela.  Depois de um caso em que cliente pagou e ela não fez o programa, o homem cobrou Nando. Houve discussão entre os dois, e ela foi morta. 

Jhennifer Luana Lopes, 16 anos – sumida em março, morta por Nando e Michel. Era viciada e furtava.

Valdelei Almeida Junior, 20 anos – foi morto em março deste ano em outra circunstância, mas é considerado vítima do grupo porque Nando tentou matá-lo em 2013.

Daniel de Oliveira Barros, 28 anos – morto em março de 2014 por Nando com golpe de chave de fenda no pescoço. O motivo foi furto no bairro.

 

PRESOS

Além de Nando, continuarão presos Ariane de Souza Gonçalves, 19 anos, responsável por atrair adolescentes e promover encontros sexuais entre eles e o Nando. Talita Regina de Souza, 21 anos e também responsável por atrair os menores. Vagner Vieira Garcia, 24 anos, que tinha relacionamento com Nando, é suspeito de participar das execuções. Jean Marlon Dias Domingues, de 20 anos, primo de Nando e comparsa nas execuções e Michel Vilela Vieira, 21 anos, sobrinho de Nando e também comparsa nos homicídios.

 

Todos permanecerão em delegacias até o fim das investigações que segundo o secretário de Justiça do Estado que também participou da coletiva desta manhã, José Carlos Barbosa, continuarão.