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Publicado em: 14/11/2017 às 13h40

Propina de envolvidos no esquema de desvio era paga pela JBS e Águas

Na 5ª fase da Operação Lama Asfáltica foram expedidos 24 mandados de busca e apreensão


- Correio do Estado

Foto: Álvaro Rezende/Correio do Estado

Coletiva conjunta envolveu Receita Federal, CGU e Polícia Federal de MS

O delegado-adjunto da Receita Federal em Campo Grande, Henry Tamashiro de Oliveira, revelou que a delação feita por Ivanildo Cunha Miranda foi espontânea e apresentou novos elementos à investigação. "No testemunho, Ivanildo afirmou comandar as operações de recebimento de propina  da empresa JBS entre os anos de 2006 e 2013. Ele declarou ainda que recebia os valores de propina e entregava ao ex-governador André Puccinelli em espécie ou por depósito em conta", detalhou o auditor fiscal.

 

Deflagrada nesta terça-feira (14), a Operação Papiros Lama, 5ª etapa da Operação Lama Asfáltica, que investiga, desde 2013, o envolvimento de pessoas físicas e jurídicas no esquema de desvio de recursos públicos, que totalizam R$ 235 milhões até o momento. 

 

A segunda empresa envolvida no esquema, segundo informações da superintendência da CGU e Polícia Federal, é a concessionária Águas Guariroba que realizaria pagamentos desde 2011 e mesmo com o fim do mandato de Puccinelli em 2014, continuou a pagar quantias embutidas em compra de uma estação de tratamento de esgoto em Dourados (fora da região de atuação da empresa), compra de livros da editora Alvorada e pagamento de serviços jurídicos para escritório de advocacia, no qual atua o filho do ex-governador, André Puccinelli Junior.

 

"Conforme os documentos analisados, a Águas Guariroba teria pago cerca de R$ 5 milhões para o grupo envolvido nas fraudes. Nesta última etapa deflagrada hoje, pode-se constatar um prejuízo na ordem de R$ 85 milhões", informou o superintendente do CGU/MS, José Paulo Barbieri. 

 

No total foram cumpridos hoje, dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, seis de condução coercitiva e 24 mandados de busca e apreensão. Além de Campo Grande, os alvos estão localizados nas cidades de Nioaque, Aquidauana e São Paulo (SP). 

 

Participaram ainda da entrevista coletiva: o superintendente regional da Polícia Federal, Ricardo Cubas César, o delegado regional de combate ao crime organizado, Cleo Mazzotti e o superintendente regional da Controladoria Regional da União, José Paulo Barbieri.