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Publicado em: 06/03/2018 às 08h59

Com Marun entre vítimas, políticos desconfiam de aplicativos após 'grampos' no WhatsApp

Marun reclama que teve dificuldades para resolver o problema junto à operadora, que demorou a dar um retorno


- Top Mídia News

Foto: Divulgação

Arthur Maia (PPS-BA) e Carlos Marun estão entre as vítimas

A clonagem de contas de WhatsApp e ‘grampos’ de conversas, às vezes comprometedoras, anda preocupando políticos que circulam pelo Congresso Nacional. O golpe começou a ficar comum a partir de 2016 e, de acordo com levantamento feito pelo Uol, pelo menos 20 políticos brasileiros estão na lista de vítimas.

 

Entre os escolhidos pelos hackers, está o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB), que teve o aplicativo clonado no ano passado quando ainda era deputado por Mato Grosso do Sul. "Fui vítima da clonagem e fiquei sem acesso ao meu WhatsApp por mais de seis meses", afirma.

 

"Além do contratempo de ficar sem uma das principais ferramentas de comunicação que utilizamos hoje em dia e de ter sido vítima de um golpe, fica também uma sensação de violação da intimidade e da privacidade. Agora, quem é que me garante que meu aplicativo não é bisbilhotado por aí?", questiona o ministro em entrevista ao Uol.

 

Marun reclama que teve dificuldades para resolver o problema junto à operadora, que demorou a dar um retorno, e que registrou uma denúncia na Polícia Federal, mas não teve mais notícias sobre o caso desde então. "Parece que a coisa ficou meio parada por lá", disparou.

 

Mais vítimas

 

Outra vítima foi o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP). "É um absurdo e ninguém sabe ainda a extensão destas invasões, deste tipo de ataque", diz. "Vou fazer uma representação ao MPF [Ministério Público Federal] pedindo que obrigue o WhatsApp a ter uma representação efetiva para atender aos clientes no Brasil. Esse canal não existe e levou dez dias para conseguir falar com eles e obter uma solução", afirma.

 

Segundo o Uol, o deputado teve as contas clonadas em quatro números de celular e aparelhos diferentes no início deste ano. Uma pessoa da lista de contatos dele teria, inclusive, depositado R$ 600 para o golpista, que pediu dinheiro em nome do parlamentar. Ele denunciou o caso à Polícia Legislativa e disse que está cobrando a operadora pelo prejuízo.

 

Outro político ouvido pelo Uol, que preferiu não se identificar, chegou a contar que foi ameaçado. "O que existia era alguma pornografia compartilhada em grupos de amigos, e o golpista ameaçou expor. Eu nem tinha compartilhado nada e não me preocupei. Falei que era deputado e que ia entregar o caso para a PF, nunca mais me procurou e eu mudei o aparelho, a linha e a conta no aplicativo de mensagens", diz.

 

Políticos de todas as matizes partidárias estão entre as vítimas, com denúncias de parlamentares do PT, PSDB, MDB, PR, PSB e PSC.

 

Segundo a Psafe, os brasileiros clicam, em média, em oito links maliciosos a cada segundo. No último trimestre do ano passado, foram mais de 66 milhões de ataques virtuais registrados no Brasil. No entanto, golpes mais elaborados como os citados costumam ser direcionados a vítimas específicas, e todo o conteúdo do celular pode estar ameaçado.