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Publicado em: 08/03/2018 às 14h36

De universidade a parceria com shopping: dez projetos do Corinthians para a Arena

Marketing do Timão corre pra criar novas receitas e bancar os quase R$ 6 milhões mensais das parcelas da dívida do estádio a partir de abril


GE

Foto: Marcos Ribolli

A diretoria corintiana ataca a dívida bilionária da Arena Corinthians em duas principais frentes: renegociar prazos e valores das parcelas – o que já está acontecendo desde antes de Andrés Sanchez teleito presidente – e implantar projetos que gerem receita nova, ou "dinheiro novo", para honrar o acordo que será feito.

 

A intenção em todas as ações é aproximar o clube da Arena Corinthians. A missão mais difícil, claro, é encontrar uma empresa – de preferência multinacional – que banque os naming rights (direito de uso do nome), atrasados há pelo menos cinco anos.

 

A torcida tem feito sua parte. Nesta quarta-feira, contra o Mirassol, às 21h45 (de Brasília), o Corinthians vai atingir a marca de 4 milhões de torcedores em seu novo estádio. Foram 123 jogos disputados desde a inauguração, em 2014.

 

– Existe um problema muito sério de separação da arena do clube. Ela não pode ter vida independente. Ela é um pedaço do marketing e tem de ser vista como pertencente ao marketing. Vamos trazer de volta e fazer um tratamento absolutamente integrado. Vamos sair em busca de eventuais patrocinadores do naming rights com muita técnica e agressividade, e criar uma série de produtos dentro e fora do estádio – afirmou Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing e "prefeito" da Arena, em entrevista ao GloboEsporte.com.

 

uando a gente foi para a Zona Leste, uma das razões que viabilizava isso era exatamente a concentração de corintianos que aquela região tem; segundo, a maior zona residencial de São Paulo; e, terceiro, esse abandono que ela tinha. Se você lembra o que era o espaço da arena há cinco anos e o que é hoje, vê o que é o potencial de germinar felicidade, emprego e atividade na região, mas isso está subutilizado – disse o diretor.

 

Os primeiros contatos com instituições de ensino interessadas em um desses projetos já foram feitos. A Estácio Participações, segunda principal empresa de educação superior do país e uma das cinco maiores do mundo, foi uma das procuradas. A proposta incluía abrir um polo de ensino à distância dentro do estádio e até espaço na camisa do time para patrocínio.

 

– Patrocinar time de futebol não está em nossas diretrizes, mas em termos de operação pode ser que tenhamos interesse – disse Cláudia Romano, vice-presidente de relações institucionais e sustentabilidade da Estácio Participações, em entrevista à Reuters.

 

Falta dinheiro para pagar parcelas

Rosenberg também está à frente da renegociação da dívida com a Caixa. E é aí que está o maior drama do Corinthians. Em abril, as parcelas mensais que hoje são de R$ 2 milhões (R$ 3 milhões a menos do que era previsto inicialmente) saltarão para quase R$ 6 milhões. Desses, R$ 2,5 milhões são juros, o restante é amortização da dívida total que gira em torno de R$ 1,3 bilhão.

 

O que nós vamos fazer é o melhor para o interesse do Corinthians. É uma gestão nova que está chegando, a gente conta com a compreensão dos financiadores. Acho prematuro querer determinar o que vai ser feito. Vamos estabelecer um acordo que o Corinthians vai cumprir religiosamente. Não há como fixar prazo, mas eu diria que estamos mais próximos do que estávamos seis meses atrás – diz Rosenberg.

 

O problema é que hoje a receita com bilheteria e outras ações na arena não é suficiente para pagar as parcelas mensais do financiamento. Segundo relatório financeiro do fundo que administra o estádio, o lucro no segundo semestre de 2017 foi de R$ 24 milhões, quase R$ 12 milhões a menos do que serão necessários no mesmo período deste ano. Para piorar, em fevereiro, a 3ª Vara Federal do Rio Grande do Sul determinou, em primeira instância, que o Corinthians pague imediatamente R$ 475 milhões do empréstimo do BNDES feito via Caixa Econômica Federal – no despacho a juíza Maria Isabel Pezzi Klein questiona a legalidade do processo de financiamento e as garantias dadas pelo Corinthians.

 

– O que a sentença fez foi pedir a antecipação do pagamento, mas não há razão para isso, nem a própria Caixa tem interesse nisso porque é interessante pra ela receber os juros do financiamento. Entendemos a decisão como equivocada, então vamos recorrer. Cabem recursos na própria instância em que se encontra (3ª Vara Federal do RS), no Tribunal Regional Federal, e nas instâncias superiores. Mas a ação não chegará até lá porque será resolvido bem antes – diz o diretor jurídico do clube, Fabio Trubilhano.

 

A negociação com a Caixa vai continuar, mas a pressão aumenta. Mais urgentes se tornam os novos projetos e o "milagre" de se encontrar uma empresa que banque os naming rights. Mas para isso é preciso lidar com vários erros do passado, até com a morte do garoto boliviano Kevin Espada, atingido no olho por um rojão atirado por torcedor do Corinthians, durante um jogo em Oruro (BOL), em 2013.

 

– Não vou abrir mão de ter contatos para fechar os naming rights, principalmente com as multinacionais que têm essa visão de longo prazo. Mas eu te garanto, o maior problema no contrato não é qualidade da arena nem o preço, a questão é: o empresário vai amarrar a sua marca neste clube por 20 anos? Será que vai ter outro morteiro no olho do moleque e acontecendo aqui (na arena), com as câmeras filmando a marca? O empresário tem de se sentir confortável com o zelo do Corinthians com sua marca pra topar um contrato de 20 anos. Um compromisso de 20 anos é quase um casamento – afirma Rosenberg.