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Publicado em: 02/04/2018 às 10h26

Nomeado por Reinaldo, chefe do MPE tira “xerife” de Grupo de Combate à Corrupção


Edivaldo Bitencourt - o Jacaré

Foto: Arquivo

Nomeado por mais um mandato no comando do MPE, Paulo Passos tira Marcos Alex do grupo de combate à corrupção, mas não tira processos das mãos de promotor

 

Reconduzido ao cargo de procurador geral de Justiça pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), Paulo Cezar dos Passos tirou o promotor Marcos Alex Vera de Oliveira do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), onde estava desde novembro de 2016. Visto como mais um gesto político, a medida, na prática, não altera as investigações em curso.

 

No entanto, a nova designação pode criar mais problemas para os políticos acostumados as práticas criminosas para conquistar cargos públicos. Marcos Alex foi designado, nesta segunda-feira, para atuar como promotor na 53ª Zona Eleitoral por dois anos.

 

Ele ficará encarregado com a parte de investigações eleitorais e registros de candidatura. Com a fama de tolerância zero com a corrupção e ágil nas investigações, o promotor vai dar dor de cabeça, pelo menos, aos políticos acostumados a usar o poder e o dinheiro para conquistar os votos.

 

Como o cenário atual é semelhante a 1998, quando o azarão Zeca do PT venceu os grupos tradicionais que se revezavam no poder e a Justiça Eleitoral teve atuação implacável, a nomeação de Marcos Alex pode ser o famoso tiro pela culatra.

 

No entanto, a revogação da portaria para tirar o promotor do Gecoc não deve mudar muita coisa. Marcos Alex continua responsável pela investigação da nebulosa história envolvendo Rodrigo Azambuja, filho do governador, de que teria contratado um grupo para roubar a propina destinada ao corretor de gado José Ricardo Guitti Guímaro, o Polaco, na BR-262. O governador e o filho negam participação no suposto roubo e acusam adversários pela trama surreal.

 

Marcos Alex continua no comando da 30ª Promotoria do Patrimônio Público, onde comanda os inquéritos sobre o enriquecimento ilícito dos investigados na Operação Lama Asfáltica. Ele já conseguiu o bloqueio dos bens do chefe de obras da Agesul, Wilson Roberto Mariano de Oliveira e sua família, e do ex-deputado Edson Giroto.

 

Paulo Passos nomeou o promotor Adriano Lobo Viana de Resende para o Gecoc. Ele também é da 29ª Promotoria do Patrimônio Público.

 

As mudanças no Grupo Especial de Combate à Corrupção ocorreram no mesmo dia em que Passos foi reconduzido para o cargo de procurador geral de Justiça pelo governador Reinaldo Azambuja.

 

Na eleição para escolher os integrantes da lista tríplice com apenas um candidato, ele obteve 180 votos, sendo que 20 promotores votaram em branco e 19 preferiram se abster do processo. Sem concorrente, ele foi o único nome da lista tríplice e vai continuar como chefe do MPE por mais dois anos.

 

Paulo Cezar dos Passos foi defensor público de 1991 a 1992. Ele ingressou no MPE em 22 de maio de 1992 e foi promovido a procurador em 2014.