Ivinhema - MS, segunda-feira, 16 de julho de 2018

10º min
26º min



Publicado em: 26/06/2018 às 09h35

Mais um policial é preso em Mato Grosso do Sul e se soma a outros 31

Durante operação, subtenente foi conduzido por suspeita de chefiar organização criminosa


Correio do Estado

Foto: Divulgação

Mais um policial de Mato Grosso do Sul foi preso por envolvimento em crimes. O subtenente da Polícia Militar Silvio César Molina Azevedo é apontado pela Polícia Federal como chefe de uma quadrilha de traficantes de drogas que atua em cinco estados do Brasil. Assim, ele se soma a outros 31 servidores da força estadual de segurança presos este ano, no Estado.

 

Com trajetória de mais de 20 anos na Polícia Militar, sem nunca antes ter sofrido reclamações de superiores ou mesmo detenção por qualquer motivo que seja, o subtenente foi preso ontem, suspeito de liderar organização criminosa desarticulada na Operação Laços de Família, desencadeada pela Polícia Federal. Segundo a PF, o prejuízo causado à organização criminosa foi de, pelo menos, R$ 61 milhões.

 

De acordo com a polícia, o esquema tinha núcleo em Mundo Novo, município onde o policial era lotado, e só levantou suspeitas porque a família dele, envolvida nos crimes, ostentava vida luxuosa na cidade, que tem pouco mais de 18 mil habitantes.

 

“Era uma organização criminosa, com traços de máfia e fortes vínculos com uma das maiores facções criminosas do Brasil, que é o PCC [ Primerio Comando da Capital]”, disse o delegado federal Luciano Flores Lima, em coletiva ontem de manhã.

 

Além do policial, a esposa e os filhos dele costumam circular pela cidade em carros de luxo, alguns avaliados em R$ 500 mil, além de fazer viagens de grande custo. A polícia, então, fez um cruzamento de informações com a Receita Federal e descobriu que a quadrilha usava empresas de fachada, além de laranjas, para lavar o dinheiro. 

 

“Eles traziam drogas do Paraguai e remetiam para vários estados do Brasil em meio a cargas lícitas, como rações caninas e cereais. Em contrapartida, o grupo recebia joias, veículos de luxo e dinheiro, por meio de depósitos em contas bancárias de laranjas e de empresas de fachada, o que garantia vida luxuosa e nababesca aos patrões do tráfico internacional de drogas, que incutiam o temor e o silêncio na região, pela sua violência e poderio”, afirma a polícia.

 

De acordo com o Portal da Transparência do governo do Estado, o salário atual de Molina na PM é de R $ 10.145,40. Apesar de ganhar esse valor, o policial tinha, conforme publicações próprias em sua rede social, uma Ferrari, que no mercado brasileiro pode chegar a custar até R$ 4 milhões, além de jet ski, lancha e helicóptero.

 

Em nota, o Comando-Geral disse que o subtenente está preso na delegacia da Polícia Federal de Naviraí e, após os trâmites legais, será conduzido por equipe da PM ao Presídio Militar Estadual, em Campo Grande, onde permanecerá à disposição da Justiça.

 

PRISÕES E APREENSÕES

A Justiça Federal da 3ª Vara de Campo Grande expediu 20 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária, 35 mandados de busca e apreensão em residências e empresas, 136 mandados de sequestro de veículos terrestres, sete mandados de sequestro de aeronaves, cinco mandados de sequestro de embarcações de luxo, 25 mandados de sequestro de imóveis (apartamentos, casas, sítios e imóveis comerciais), cumpridos em São Paulo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Norte, além de MS.

 

Também foi decretado o sequestro de todos os bens de 38 investigados, inclusive aqueles em nome de empresas de fachada. Durante a investigação, antes da deflagração da operação, a PF já tinha conseguido apreender R$ 317.498,16 em dinheiro; joias avaliadas em R$ 81.334,25 ; duas pistolas; 27 toneladas de maconha; duas caminhonetes Dodge Ram; e 11 veículos de transporte de carga, além de prender em flagrante seis pessoas. 

 

CASOS

Levantamento feito pela reportagem indica que, ao menos, 32 policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul foram presos desde o início de 2018. 

 

A maioria dos presos é da Polícia Militar, que em abril foi principal alvo da Oiketikus – operação que investiga policiais suspeitos de cobrar propina para facilitar o trânsito de contrabanditas em rodovias estaduais e municípios. 

 

Neste caso, o esquema também era bastante rentável e fez com que o patrimônio de muitos dos investigados mais que triplicasse nos últimos anos. Na ocasião, foram presos 28 servidores. 

 

Já em maio, ocorreram dois casos. Um policial civil aposentado foi preso por tráfico internacional de drogas. Ele dirigia uma caminhonete e foi parado pela Polícia Federal (PF) na BR-463, em Dourados. Os policiais encontraram em uma mochila, no capô do veículo, 4,3 quilos de cocaína e 2,1 quilos de pasta-base.  

 

E ainda foi preso um policial civil por suspeita de consumir pornografia infantil. Na época, ele alegou que recebia as imagens, olhava e em seguida as deletava. 

Já em fevereiro, outro caso foi de um cabo da PM preso na com 104,5 kg de crack, na BR-101, em Itapema (PR). (Colaborou Rafael Ribeiro)