Geral
Libanês que vive em MS fala da dor de perder amiga na explosão em Beirute: 'Morreu dentro do carro'
Corpo de Vitoria Sarkassian foi encontrado no mesmo dia da tragédia. Segundo amigo, ela trabalhava próximo ao porto com produtos de importação, em Beirute.
G1 MS
O libanês Paco Kawija que há 7 anos vive em Campo Grande, relata a dor da perda da amiga de infância, Vitoria Sarkassian, de 42 anos, que morreu na explosão do porto em Beirute, na terça-feira (4).
A suspeita é que a explosão tenha partido de um armazém que guardava nitrato de amônio, um tipo de fertilizante. Apesar de o país já ter sido alvo de terroristas e viver período de instabilidade política, não há evidência de que se trate de um atentado terrorista.
Segundo Paco, Vitoria era formada em comércio exterior e trabalhava com importação e exportação de produtos próximo ao local da tragédia.
“Ela estava a caminho da empresa quando foi atingida pelos destroços da explosão. Ela morreu dentro do carro, sem chances de se proteger”, lamenta.
Ainda de acordo com Paco, que trabalha como chefe de cozinha, o corpo da amiga foi encontrado no mesmo dia do incidente.
“Creio que foi mais fácil encontrá-la, porque ela não estava no meio dos escombros. É muito triste tudo isso que aconteceu”, reforçou.
De acordo com Paco, a última vez que foi ao Líbano, encontrou Vitória em Beirute. Ele ainda relembra que os dois se conheceram em sua cidade natal, em Trípoli - território libanês.
“Quando ela soube que estava no país [Líbano] ela foi me procurar. Fizemos até uma reunião entre amigos e parentes. Mal sabia eu que seria a última vez que a veria”, lamenta.
Na última conversa com Vitoria, Paco conta que eles falaram sobre o trabalho dela que fica próximo ao estabelecimento de fotografia de seu avô, próximo do porto que foi destruído após a explosão.
“Cheguei a explicar o ponto que era a loja do meu avô e ela me perguntava o endereço. Quando ela entendeu o ponto certo, ela me disse passava diariamente próximo do local para ir até a empresa onde trabalhava”, diz.
Causa
Segundo autoridades locais, 2.750 toneladas de nitrato de amônio, armazenadas de forma insegura em um armazém no porto, teriam motivado a explosão.
Pelo menos 137 pessoas morreram e outras 5 mil ficaram feridas, enquanto dezenas ainda estão desaparecidas. Um estado de emergência de duas semanas foi decretado.
Enquanto ainda se recupera da tragédia sem precedentes, a população clama por justiça.
Muitos acusaram as autoridades de corrupção, negligência e má gestão.
"Beirute está chorando, Beirute está gritando, as pessoas estão histéricas e cansadas", diz à BBC o cineasta Jude Chehab.
Resgate
As forças de segurança isolaram uma grande área ao redor do local da explosão e os socorristas continuam a procurar corpos e sobreviventes sob os escombros, enquanto barcos vasculham o litoral.
O ministro da Saúde Pública do Líbano, Hamad Hassan, disse que o país está sem leitos e não possui o equipamento necessário para tratar os feridos e cuidar de pacientes em estado crítico.
Cerca de 300 mil pessoas ficaram desabrigadas com a explosão, disse o governador de Beirute, Marwan Aboud.
"Beirute precisa de comida, Beirute precisa de roupas, casas, materiais para reconstruir casas. Beirute precisa de um lugar para os refugiados, para seu povo", afirmou ele à BBC.
Vários países ofereceram assistência humanitária. Três aviões franceses deverão chegar com 55 equipes de resgate, equipamentos médicos e uma clínica móvel equipada para atender 500 pessoas.
Nesta quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, tornou o primeiro líder mundial a visitar o país, uma ex-colônia da França, desde a tragédia.











