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Sul-mato-grossense que batizou nome de asteroide ganha 'Black Talent Award'

Luiz foi vencedor na categoria que reconhece minorias que se destacaram em seu campo de atuação

| MIDIAMAX


Atualmente, Luiz Fernando vive em São Paulo, SP, mas sempre visita Mato Grosso do Sul - Foto: Karenini Komiyama
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O céu não é o limite para o aquidauanense Luiz Fernando Silva Borges, de 23 anos. Depois de ter conquistado mais de 60 prêmios em feiras de ciências e engenharia nacionais e internacionais só no ensino médio, e até ter sido homenageado com um asteroide que recebeu seu nome, o estudante de engenharia da computação acaba de realizar mais uma conquista.

 

Trata-se da McKinsey Achievement Award: uma premiação promovida pela maior firma de consultoria do mundo, a McKinsey & Company (EUA), com o objetivo de reconhecer minorias que se destacaram em seu campo de atuação.

 

Dentre essas minorias estão pessoas negras, mulheres, pessoas LGBTQ+, e pessoas que vieram de contextos com poucos recursos econômicos. "Eu fui premiado com o McKinsey Black Talent Achievement Award como reconhecimento por minhas ações no campo da Ciência e Tecnologia".

 

"Desde o ensino médio, que fiz no IFMS Campus Aquidauana, desenvolvi pesquisas e tecnologias na área de Engenharia Biomédica que receberam ao todo mais de 50 premiações nacionais e internacionais históricas. Dentre elas, um prêmio concedido pelo Laboratório Lincoln do MIT, que batizou o asteroide 33503 Dasilvaborges em minha homenagem", relembra ele.

 

Atualmente, Luiz Fernando cursa Engenharia da Computação, é sócio, co-fundador e diretor de tecnologia da Leventronic, empresa de tecnologia médica que está na iminência de homologar o ventilador pulmonar de emergência Leven67, desenvolvido em a motivação da pandemia.

 

Black Talent Award
O prêmio Black Talent Award aconteceu por meio de um processo em que os candidatos enviaram seus currículos contendo experiências profissionais, pessoais, premiações, e outros detalhes. Alguns foram selecionados para uma entrevista por videochamada, a fim de contar sua trajetória. Depois desta etapa, Luiz fui o premiado na categoria "Black Talent Award", ou "Prêmio de Talento Negro", em tradução literal ao português.

 

Para o estudante de engenharia da computação, a conquista representa a oportunidade de se posicionar contra o mito que 'basta querer que você consegue ser o quiser, independente de qualquer coisa'. Em depoimento ao MidiaMAIS, ele diz que sempre aproveitou suas posições de destaque, como essa, para reconhecer os privilégios que teve em sua formação, e que foram os co-responsáveis por estar onde está.

 

"Apesar de ser negro, de uma família de pais separados, de classe média e do interior do Estado, tive a sorte de crescer sob a influência de três mulheres: minha mãe, minha tia e minha bisavó (hoje falecida e principal motivação por trás de minha pesquisa com comunicação com pessoas em coma usando eletroencefalograma). Elas foram meus maiores exemplos de autoestima e disciplina", relata Luiz.

 

Foi assim que Luiz teve acesso ao seu primeiro kit de química, microscópio, telescópio, livro de ciências e também a lugares como bibliotecas, museus e consertos. "Minha mãe, principalmente, sempre abriu mão de muita coisa para que eu tivesse vários privilégios que eram bem alheios a pessoas de nossa classe social ou localização", afirma o jovem.

 

"Infelizmente, algumas pessoas em situações similares podem não contar com a mesma sorte e depois se cobram exacerbadamente quando veem na mídia algumas pessoas que 'chegaram lá' dizendo que o esforço é a única coisa necessária. Acredito não precisar evidenciar que disciplina e instrução são essenciais para que qualquer objetivo seja conquistado, mas sem as oportunidades corretas ou meio correto, a pessoa não terá uma mente onde essas virtudes possam se desenvolver"

"Quero algum dia poder ser capaz de retribuir isso para a sociedade, a fim de torná-la mais igualitária, fazendo da ciência e do método científico meios de transformação e mobilidade social. Enxergo minhas ações em Ciência e Tecnologia como formas de retribuir para a sociedade parte dos privilégios que recebi graças aos sacrifícios de quem me criou e me educou", completa o estudante.

 

Com tantos reconhecimentos e alçado a grandes voos, o aquidauanense não desfaz de suas raízes e bate no peito para falar da cor, uma das responsáveis pelo mais recente prêmio conquistado. "Tenho orgulho de ter a rastreabilidade de minha ascendência afro-brasileira, uma vez que minha tataravó materna nasceu em uma senzala em Minas Gerais. Nos momentos mais difíceis, frequentemente recorro a especular sobre tudo aquilo que meus antepassados suportaram apenas para que eu existisse hoje", finaliza.



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