Time misto deixa Corinthians na mão e derrota já pesa na tabela do Brasileiro


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GAZETA ESPORTIVA

O Corinthians não conseguiu vencer alguns obstáculos na noite do último domingo, na Arena Castelão, e foi derrotado pelo Fortaleza, por 1 a 0, em belo gol de Moisés. Segundo Vítor Pereira, o resultado foi injusto e alguns fatores colaboraram para o resultado negativo.

 

O primeiro foi o gramado da Arena Castelão, bastante irregular e dificultando o jogo, “um campo miserável”, segundo ele. Concordo, mas o campo estava assim para ambas as equipes.

O segundo, critérios de arbitragem, que não foram iguais para os dois times (ainda na opinião do técnico), principalmente no lance do gol - teria havido falta em cima de Robson. O terceiro, o próprio Fortaleza, dando o devido crédito ao atual momento do adversário (são cinco jogos sem perder na competição, com quatro vitórias), em uma guinada na tabela.

 

E, por fim, o quarto ponto: a escalação mandada a campo, com jogadores que não atuam juntos, inclusive com a reestreia de Mateus Vital. Foi uma escolha, é claro, pensando na decisão da próxima quarta-feira, no jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil, contra o Fluminense.

É mais neste ponto que gostaria de me ater nesta análise, já que o jogo, por si só, não há muito para se comentar. As melhores chances de ambas as equipes (excetuando o gol) foram em cobranças de falta, em um duelo truncado e de baixa qualidade técnica.

A defesa foi muito mal, tanto Bruno Méndez improvisado na lateral, quanto a dupla de zaga formada por Robson Bambu e Robert Renan, e Piton na outra extremidade. No meio, Giuliano mais uma vez não conseguiu aproveitar sua oportunidade, enquanto Fausto comprovou que foi um bom negócio para o clube. O ataque pouco pôde fazer.

Coloco outro aspecto, não mencionado pelo técnico, o fator fora de casa. O Corinthians não consegue jogar bem longe de seus domínios - o time só venceu um dos últimos 11 embates fora, em todas as competições que disputa. É um aproveitamento de menos de 20%.

Voltando à parte da escalação, com essas escolhas, o técnico Vítor Pereira deixou claro que priorizou, sim, a Copa do Brasil, mas, por outro lado, outro problema ficou ainda mais escancarado: a diferença de elenco em relação a clubes que buscam o título do Campeonato Brasileiro.

São os casos de Palmeiras e Flamengo (e do próprio Fluminense), que, inclusive, fizeram um embate direto no Allianz Parque antes do jogo do Corinthians. Terminou 1 a 1.

 

Sobre isso, VP não fugiu da raia e comentou. "Nós não temos argumentos para tirar uma equipe, continuar a ganhar, tirar outra, jogar, continuar a ganhar. Nós temos uma boa equipe. Se todos os jogadores estivessem disponíveis, teríamos mais argumentos, sem dúvida".

Concordo com ele. Tomemos como base a escalação titular do Rubro-Negro contra o Alviverde, o chamado "time B", com: Santos, Matheuzinho, David Luiz, Pablo e Ayrton Lucas; Thiago Maia, João Gomes e Victor Hugo; Marinho, Everton Cebolinha e Lázaro. Esse time foi mais perigoso no primeiro tempo que o "titular" Palmeiras, que tinha a posse, mas não era efetivo.

Assim que o Alviverde chegou ao tento de empate, Dorival Júnior simplesmente colocou em campo Pedro, Arrascaeta, Gabigol, Vidal, Everton Ribeiro...

Os dois times têm, incontestavelmente, muita qualidade, algo muito diferente do "mistão" colocado em campo por VP - e, vale mencionar, o Palmeiras cresceu no segundo tempo e quase chegou a virar. São elencos muito à frente do do Corinthians.

Se em relação aos nomes de seu elenco Vítor Pereira não tem culpa alguma - não foi ele quem contratou e nem participou da contratação da grande maioria disponível para atuar no último domingo -, por outro lado, assumiu a responsabilidade por abdicar demais, com uma escalação diferente demais.

A solução, para mim, teria sido mesclar menos nomes, mas, ainda assim, gerindo o elenco. Por mais que o Fluminense, adversário de quarta-feira, tenha um dia a mais de descanso e de preparo, além de jogar no Maracanã, seria possível ter feito isso de outra forma, desta vez.

A derrota, é claro, não significa muita coisa em relação à moral para o jogo decisivo, mas deixa uma sensação de que o Brasileirão é um sonho cada vez mais distante, ainda mais olhando os adversários diretos.


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