Vendas do comércio caem 1% em maio, primeira taxa negativa em dez meses

Mesmo com a queda apurada na comparação anual, o varejo tem alta de 1,3% no acumulado de 2023, mostra IBGE


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Ramo de livros, jornais, revistas e papelaria caiu 6,7% ROVENA ROSA/AGÊNCIA BRASIL - 19.04.2021
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O volume de vendas do comércio brasileiro recuou 1% no mês de maio na comparação com o mesmo período de 2022, mostram dados apresentados nesta sexta-feira (14) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A variação negativa ante o mesmo mês do ano anterior é a primeira desde julho do ano passado (-5,3%).

 

Mesmo com o resultado negativo, o varejo tem alta de 1,3% no acumulado deste ano e de 0,8% nos últimos 12 meses, segundo dados da PMC (Pesquisa Mensal de Comércio).

 

Na comparação interanual, a queda foi influenciada pela redução do volume de vendas em quatro das oito atividades pesquisadas, com destaque para o ramo de tecidos, vestuário e calçados (-18,2%),

 

Artigos de uso pessoal e doméstico (-17,4%), livros, jornais, revistas e papelaria (-6,7%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,9%) também ficaram no campo negativo.

 

Por outro lado, apresentaram crescimento em maio, na comparação com o mesmo mês do ano passado, combustíveis e lubrificantes (+10,8%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+7,6%), hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+1,5%) e móveis e eletrodomésticos (+0,3%). 

 

Considerando o comércio varejista ampliado, o setor de veículos e motos, partes e peças teve crescimento de 1,6%. Já a atividade de material de construção apresentou queda de 2%, enquanto o atacado de produtos alimentícios, bebida e fumo cresceu 18,1% entre maio de 2022 e maio de 2023.


Maio X abril


Na comparação com o mês de abril, as vendas do comércio varejista também recuaram 1%, com impacto do tombo de 3,2% do setor de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. O valor devolve boa parte do salto de 3,6% registrado pela atividade no mês anterior. 


Cristiano Santos, gerente responsável pela PMC, afirma que o setor representa mais de 50% da fatia de todas as informações coletadas pelo estudo e tem potencial para direcionar o resultado do indicador. "A atividade vem de uma aceleração em abril, em um fenômeno que serviu para estancar as quedas anteriores", explica ele.

 

Para o pesquisador, a atual conjuntura econômica pressiona o consumidor a fazer opções, que acabaram se concentrando no consumo em hiper e supermercados em abril, o que mudou no mês de maio. "É uma espécie de rebote, no qual a escolha do consumidor pareceu ser de consumir menos nessa área e consumir mais em outras atividades”, afirma Santos.

 

Na comparação mensal, também houve recuo em outras três atividades: tecidos, vestuário e calçados (-3,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,3%) e móveis e eletrodomésticos (-0,7%). Santos explica que esses três setores têm sido afetados pela redução do número de lojas físicas de grandes cadeias e que nem o Dia das Mães, data que costuma aquecer o comércio em maio, conseguiu reverter o efeito.

 

Já entre as altas, o destaque ficou por conta do ramo de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 2,3% em maio. “Embora venham de sucessivos crescimentos, as vendas nessa atividade aceleraram no mês, provavelmente impactadas pelo Dia das Mães”, explica Santos.

 

As demais três atividades que apresentaram taxas positivas no mês foram: livros, jornais, revistas e papelaria (1,7%), combustíveis e lubrificantes (1,4%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,1%).


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