“É descaso com o ser humano”, diz filho ao achar túmulo violado

Na lápide ficou visível pedaço do caixão do pai e um saco que, possivelmente, seja de uma ossada exumada


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CAMPO GRANDE NEWS

Lápide está quebrada há cerca de 15 dias (Foto: Direto das Ruas)
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Durante visita ao tumulo do pai, homem vê lápide vizinha violada e fica indignado com a situação. O caso aconteceu no cemitério Santo Amaro há duas semanas atrás, a administração foi avisada, mas ontem o empresário foi novamente ao local e encontrou o túmulo ainda sem receber concerto.

“Fiquei preocupado, além de ficar indignado com a falta de respeito, né? Com o ser humano, né? Quem está sepultado ali é um ser humano, foi um contribuinte, né? Você não teria que estar falando com a com a direção pra que ela fizesse o trabalho dela, né? Porque eles deveriam pelo menos andar ali pelos túmulos e ver essa situação. Essa situação aí já faz mais de quinze dias', disse Luciano Cristaldo, de 42 anos.

Na lápide violada é possível ver que há um caixão e um saco, possivelmente, com ossada exumada. No crucifixo do túmulo há o nome de duas pessoas, uma faleceu em novembro de 1969, enquanto a outra no mês de Abril de 2001.

Luciano ainda reclama da limpeza do cemitério e da conservação que os túmulos se encontram. Ao procurar a reportagem ele explica que é uma forma de os parente ficarem cientes e irem até o local e realizar as manutenções necessárias.

A reportagem foi até o local e encontrou vários lápides violadas, alguns com o concreto cedido e outros com árvores ou plantas crescendo no meio do buraco deixado pela violação. A reclamação da maioria dos familiares que estavam visitando os entes queridos foi sobre o descaso da administração com o cemitério e a falta de sinalização.

A técnica auxiliar hospitalar, Sueli Oliveira, de 60 anos, contou ao Campo Grande News que foi até o cemitério para verificar a respeito da mudança de gavetas anunciada pela prefeitura. 'Por aqui são muitos túmulos danificados. Graças a Deus nunca mexeram no do meu pai, mas os do lado estão todos quebrados. Aqui não está nada conservado', pontua Sueli.

Ela relata que as quadras dentro do cemitério não estão sinalizadas e precisou fazer uma longa caminhada para encontrar a lápide do pai, que está enterrado há nove anos no Santo Amaro. 'Só consegui achar porque tem uma árvore próximo e me localizei por ela. São várias e várias quadras sem sinalização', declara. Sueli conta também que quando vê uma lápide violada, prefere não olhar para dentro pois não tem coragem.

A dona de casa, Neuza Lopes, 60 anos, relata que foi até o cemitério nesta sexta-feira (14), para verificar se estava 'tudo bem' com o túmulo de sua mãe e tia, que estão enterradas no local. Ela conta que passou pela mesma situação que Sueli, caminhou por bastante tempo. 'Hoje andei 40 minutos para achar o túmulo porque as quadras não são claras. Eu e minha prima vamos providenciar algo maior para sinalizar e achar mais fácil da próxima vez', conta a dona de casa.

Ela relata que faz aproximadamente dez anos que não visita o cemitério e que se assustou com o estado que encontrou. 'Tem muitos túmulos rachados, com árvore no meio. Quando vejo que tem túmulo rachado eu nem olho, viro pro lado. Esse cemitério está complicado. Dá até medo. Eu já tenho medmo de cemitério, ainda mais desse jeito', destaca Neuza Lopes.

 O proprietário de três terrenos do cemitério, Agenor Alves, de 68 anos, declara que a limpeza do ambiente 'até que está boa', apesar de que em algumas parte do cemitério o mato está baixo. 'O problema é que os túmulos estão abandonados e a responsabilidade é da família e da administração. Mas todos estão abandonados', declarou Agenor. Segundo ele, a administração não fiscaliza e as famílias também não colaboram com o cuidado do espaço.

Ele acredita que após a mudança das gavetas, o cemitério irá melhorar. 'Está muito triste essa situação, mas acredito que a maioria do pessoal que está vivo e tem dinheiro, vai vir até o cemitério. Para mim, tem que acabar com essas construções de capela. Eu sei que um ou outro ainda tem desejo de fazer casa pros defuntos não tomarem sol, mas acho que deveria ser identificado somente com plaquinhas de sinalização', pontuou o proprietário.

O Campo Grande News entrou em contato com a prefeitura para falar sobre a situação, mas até o momento não recebeu nenhum retorno. O espaço segue aberto.


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