Santa Casa diz que não consegue manter hospital e tenta fechar novo contrato do SUS

Novo acordo deve ser assinado até 30 de outubro


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MIDIAMAX

Santa Casa. (Foto: Leo de França, Jornal Midiamax)
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A Santa Casa de Campo Grande tenta fechar o novo contrato com o poder público em meio à falta de materiais, problemas em equipamentos e dificuldades para manter os atendimentos. O gestor provisório do hospital, Luiz Alberto Kanamura, afirmou ao Midiamax que o acordo com o Estado e o Município está próximo, mas ainda não foi assinado.

 

“Eu tenho certeza de que, do jeito que está, nós não rodamos o hospital”, declarou Kanamura em entrevista.

 

A negociação avançou em reunião na quinta-feira (8), quando representantes da Santa Casa, da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e da SES (Secretaria Estadual de Saúde) discutiram os termos do novo contrato do SUS (Sistema Único de Saúde). A previsão é de que o documento seja assinado até 30 de outubro, segundo o gestor.

 

A proposta prevê validade de 36 meses e reajuste anual dos valores, com prioridade para especialidades como politrauma, neurocirurgia, neurologia clínica, cardiologia clínica e cardiocirúrgica, cirurgia vascular e atendimento a pacientes queimados.

 

Na reunião, também foi discutido um incremento de R$ 4,5 milhões mensais nos repasses públicos, sendo R$ 3,5 milhões do Estado e R$ 1 milhão do Município, além dos valores já previstos no contrato atual.

 

Segundo Kanamura, a definição dos serviços que ficarão sob responsabilidade da Santa Casa é necessária para organizar os atendimentos e evitar que a instituição assuma uma demanda sem ter condições de atendê-la.

 

Falta de material compromete atendimentos

 

Além das negociações com os gestores públicos, Kanamura relatou dificuldades para manter equipamentos e comprar materiais usados nos procedimentos. Segundo ele, há despesas de aproximadamente R$ 800 mil com manutenção de equipamentos, enquanto alguns insumos duram apenas três ou quatro dias. “Estou tendo que negociar permanentemente”, afirma.

Luiz Alberto Kanamura, gestor da Santa Casa de Campo Grande. (Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

 

 

O gestor citou o caso de pacientes internados que dependem de dispositivos específicos para continuar o tratamento. Sem esses materiais, a alta hospitalar pode ficar comprometida. “Não adianta eu falar para ti que estou abrindo cirurgia cardíaca congênita a todo vapor, se eu não tenho marcapasso multissítio para instalar no paciente que está internado”, disse o gestor.

 

Kanamura afirmou que o Estado firmou um convênio para a compra de materiais e medicamentos.
Conforme ele, o recurso permite garantir o abastecimento por cerca de 15 dias, e as compras já estão sendo realizadas.

 

Sem previsão para cirurgias eletivas


A retomada das cirurgias eletivas também depende da regularização dos serviços. De acordo com Kanamura, a anestesia está atendendo apenas urgências e emergências, o que impede a realização dos procedimentos programados.

 

A proposta do novo contrato prevê cirurgias eletivas nas especialidades pactuadas com o Estado e o Município. Os demais procedimentos poderão ser encaminhados para outras unidades da rede pública, conforme a capacidade de atendimento. “Não é só a Santa Casa que faz cirurgia eletiva. O Estado inteiro faz. Corumbá faz cirurgia eletiva; o HU faz; o Regional faz”, afirmou.

 

A reorganização, segundo o gestor, deverá ocorrer gradualmente, com a definição dos serviços que serão concentrados na Santa Casa e daqueles que poderão ser absorvidos por outros hospitais.

 

A negociação ocorre após a Justiça afastar a antiga direção da Santa Casa e estabelecer a gestão provisória da instituição. A reunião de quinta-feira foi a primeira com participação de Kanamura desde que assumiu o comando do hospital.


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