Contadora confirma que mensaleiro recebeu pagamento de petistas - em reais e em dólar

Meire Poza diz à CPI da Petrobras que foi três vezes buscar dinheiro com petista para entregar a Enivaldo Quadrado, que chantageava o PT


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Meire Poza, a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, revelou nesta quarta-feira à CPI da Petrobras que foi três vezes, em maio, junho e julho deste ano, pegar dinheiro com um militante do PT a pedido de Enivaldo Quadrado, um dos condenados no escândalo do mensalão. Em duas ocasiões, recebeu um pacote de reais. Em outra, dólares.


No mês passado, VEJA revelou que o mensaleiro Enivaldo Quadrado estava chantageando o PT. Ele ameaçava contar que, em 2004, o partido comprara por 6 milhões de reais o silêncio do empresário Ronan Maria Pinto, que — em outra chantagem — ameaçava envolver o ex-presidente Lula, o ministro Gilberto Carvalho e o ex-ministro José Dirceu no assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santa André.


O que assustava os petistas era a possibilidade de Enivaldo desvendar para a Polícia Federal todo o significado de um documento apreendido no escritório do doleiro — um  contrato mostrando que os tais 6 milhões de reais exigidos em troca do silêncio foram efetivamente transferidos para Ronan Maria Pinto em 2004. 


Meire Poza contou que foi três vezes à casa do jornalista Breno Altman, militante do PT e amigo do também mensaleiro José Dirceu, buscar “parcelas” equivalentes a 15.000 reais mensais. O dinheiro, de acordo com o depoimento prestado hoje pela contadora, teria siso usado por Quadrado para quitar a multa imposta pela Justiça pelo seu envolvimento no escândalo do mensalão.


A VEJA, no entanto, Meire Poza disse que Enivaldo Quadrado, seu amigo e parceiro de negócios, revelou que o contrato dos 6 milhões “era seu seguro de vida contra o PT”. Quando a polícia desencadeou a operação Lava Jato e apreendeu o documento com Alberto Youssef, ele viu a chance de ganhar  um pouco mais com seu silêncio.  A foto do maço de dólares (veja ao lado), dinheiro entregue por Breno Altman a Meire Poza no último encontro entre os dois, foi tirada por um dos envolvidos na transação como garantia de que o compromisso fora de fato cumprido.


O tesoureiro do PT, João Vaccari, segundo a contadora, era o encarregado de administra o silêncio de Enivaldo Quadrado.


Na primeira vez que esteve na casa de Breno Altman, Meire Poza conta que nem chegou a entrar. O envelope com dinheiro foi repassado ainda no portão. Depois, no segundo encontro, o próprio Breno recebeu a contadora na sala da casa dele para fazer o pagamento. A conversa, segundo a contadora, foi gravada. Nela, preocupado, Breno disse que seria preciso encontrar uma forma de forjar uma operação financeira para esquentar os pagamentos. A sugestão do petista foi simular a venda de um carro. Enivaldo Quadrado tem uma revenda de veículos em Assis (SP).


As chantagens assombram o PT há tempos. Em 2012, o publicitário Marcos Valério prestou um depoimento à Procuradoria da República, em que revelou que Ronan Maria Pinto chantageou a cúpula do PT. Ele queria, segundo Valério, 6 milhões de reais para não comprometer Lula, o ministro Gilberto Carvalho e José Dirceu na morte do ex-prefeito de Santo André. Valério, então operador do mensalão, contou que  foi procurado pelos petistas para providenciar o dinheiro. 


O contrato apreendido com Youssef em 2014 mostra que Marcos Valério ajudou a levantar a quantia – e dá veracidade às informações prestadas por ele aos procuradores dois anos antes.


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