Jornalista cita senador e deputados em livro sobre operação Uragano


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Motivou um certo desconforto político o lançamento do livro “A Máfia do Paletó”, operação Uragano, do jornalista Eleandro Passaia, que atuou como espião da Polícia Federal na investigação que resultou na prisão de 28 pessoas, entre as quais as principais autoridades políticas da cidade de Dourados.

Num trecho da obra, o jornalista diz que “deputados federais e senadores” também estariam implicados no esquema de corrupção, supostamente chefiado pelo prefeito da cidade, Ari Artuzi, do PDT, ainda preso.

“A Secretaria de Obras é o negócio mais rentável do mundo do crime político”, escreveu Passaia. De acordo com o jornalista os políticos cobram do prefeito uma porcentagem dos recursos enviados ao município por meio das emendas parlamentares. Num dos capítulos, Passaia dedica a um suposto acordo envolvendo a prefeitura de Dourados e o senador Delcídio do Amaral, do PT.

O jornalista diz que por meio de gravações entregues à Polícia Federal, descobriu que o senador teria cobrado uma espécie de comissão sobre R$ 33 milhões, recurso destinado a construção de obras de drenagem numa região pobre de Dourados.

Ainda segundo a obra, nessa bolada dos R$ 33 milhões, uma parcela do dinheiro teria ido a um servidor de boa patente que trabalha no Ministério das Cidades, de onde saiu o recurso por meio de emenda de Delcídio.

O jornalista cita ainda os deputados federais Marçal Filho, do PMDB, Antonio Carlos Biffi, do PT, Geraldo Resende, do PMDB, Vander Loubet do PT, Dagoberto Nogueira, do PDT.

“Como não tenho provas, vou me ater as gravações entregues a Polícia Federal”, assim expressou o jornalista ao citar o suposto envolvimento dos parlamentares no esquema de fraude em licitações públicas em Dourados.

“O maior ator entre os deputados do Estado, em minha opinião, é o deputado Geraldo Resende, do PMDB”, escreveu o jornalista. “Soa tambor em praça pública para cobrar empenho no processo de licitação”, diz Passaia sobre o peemedebista. De acordo com o jornalista, o deputado cobrava sua parte do dinheiro “diretamente” com o dono da Planacon Construtora, o empreiteiro Geraldo de Assis.

O peemedebista Marçal de Souza, o jornalista assim narra: “um peixe grande que fatalmente vai morrer pela boca”. Passaia disse que Marçal “concordou” em desviar dinheiro da secretaria municipal de Saúde para quitar dívidas de uma emissora de rádio que comanda em Dourados.

Quanto à suposta participação do deputado federal Dagoberto Nogueira, do PDT, Passaia afirma que “a mando do chefe”, Sérgio Castilho, que seria assessor do parlamentar, sempre cobrava o direcionamento das licitações.

Walquiner Gonçalves França que, segundo Passaia, seria assessor de Antonio Biffi, do PT, “também fazia as mesmas exigências”.

Já o deputado federal Vander Loubet, também petista, a quem o jornalista chama de “super carismático”, nunca teria conversado com Passaia sobre dinheiro, mas, segundo ele, o parlamentar contava com um mensageiro, servidor público, cujo nome é citado no livro como Sandro Omar de Oliveira Santos.

"Censurado"
Um fato inusitado acompanha o lançamento do livro. Cinco páginas, em branco, com o carimbo "censurado". A censura às páginas que traziam o conteúdo sobre os parlamentares não decorreu, segundo o autor, de ordem judicial, mas por imposição da gráfica que teria alegado relacionamento com os parlamentares.


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