Rejeição da família de Manoel de Barros pode aumentar lista de micos do Aquário


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O deputado Felipe Orro (PDT) apresentou na Assembleia umprojeto para dar o nome de Manoel de Barros ao Aquário do Pantanal. A ideiaagradou os deputados, mas a Comissão de Constituição Justiça e Redação (CCJ) daAssembleia achou melhor consultar a família de Manoel de Barros e pode aumentara coleção de micos da “faraônica” obra do governador André Puccinelli (PMDB).


O presidente da CCJ, Marquinhos Trad (PMDB), explicou queachou por bem consultar a família antes de usar o nome do poeta, morto no mêspassado. Agora, caso a família diga não, os deputados terão de rejeitar aproposta.


A discussão na Assembleia aconteceu depois que o deputadoCarlos Marun (PMDB) apresentou projeto pedindo para retirar o nome doex-governador Harry Amorim Costa de um presídio de Dourados. A família sente-seincomodada com a associação do nome do ex-governador a crimes.


Desde que Felipe Orro apresentou o projeto há muitadiscussão em torno das homenagens propostas na Assembleia Legislativa. JersonDomingos (PMDB) também apresentou um projeto para dar nome de Manoel de Barrosà ponte sobre o Rio Paraguai, mas no calor da discussão na Assembleia, odeputado acabou pedindo para retirar o projeto, alegando que os críticos têminveja por não poder fazer o mesmo.


A crítica é maior porque o poeta era avesso a fama eraramente concedia entrevista. A vida reclusa do poeta, que valorizava mais ascoisas simples, faz admiradores rejeitarem a exposição, que muitos entendem quenão agradaria a um dos mais ilustres representantes de Mato Grosso do Sul.Manoel nasceu em Cuiabá, mas viveu maior parte do tempo no Estado.


Pesa ainda mais para as críticas o fato do Aquário doPantanal ser alvo de inquérito do Ministério Público Estadual (MPE), pordenúncia de superfaturamento e críticas sobre a real necessidade da obra,quando o Estado carece de serviços básicos, como saúde e segurança. Os fãs dopoeta temem que o nome dele seja relacionado a denúncias do Aquário, tendo comomanchete, por exemplo: “Aquário Manoel de Barros é investigado pelo MinistérioPúblico”.


Se a família disser não, Puccinelli passará por mais umconstrangimento desde que anunciou a obra que ele chama de “emblemática”. Eleprometeu entregar o Aquário pronto antes do final do mandato, mas a 20 dias dofim, a obra está longe do planejado inicialmente.


As críticas e suspeitas sobre o Aquário são grandes a pontode o governador eleito, Reinaldo Azambuja (PSDB), recusar-se a tocar a obra semuma auditoria. Ele já avisou que só vai dar continuidade depois que oMinistério Público terminar todas as investigações sobre denúncias deirregularidade na obra de Puccinelli.


Chamado de “elefante branco” e até de “abacaxi deitado” pordeputados e por parte da população, a obra de Puccinelli nem foi concluída, masjá tem mais motivos para envergonhar do que para exaltar o idealizador.


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