Comida fácil e lixo à mostra atraem quatis em condomínio


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CAMPO GRANDE NEWS

Os moradores do condomínio Jardim das Paineiras, no bairro Santa Luzia, já se acostumaram com as visitas dos quatis, que há três meses passaram a circular pela área residencial em busca de alimento, dado por moradores, um erro grave, segundo especialistas.

Algumas pessoas não se incomodam com os animais, porém há quem levante alerta sobre a situação.

A pediatra Lilian Carvalho conta que viu os quatis pela primeira vez no condomínio no dia 25 de julho. “Estávamos perto do lago, quando meu filho de seis anos apontou, achando ser um cachorro”, diz a moradora.

Na verdade, eram cerca de 30 quatis que se aproximaram da família de Lilian. Desde então, quando os bichos surgem no final da tarde, a pediatra costuma servir ração de peixe.

“Eles são muito dóceis e ariscos, quase não é possível toca-los ou chegar muito perto. Como não tem onde ficar, acabam vindo buscar comida aqui. A relação com eles é a melhor possível”, destaca Lilian.

A opinião do anestesista Francisco Ilgenfritz é diferente. Ele acredita que os quatis são animais de temperamento instável.

“Não dá para saber quando eles podem atacar. São bonitinhos, engraçadinhos, mas se parar de dar comida para eles, é possível que ataquem. Temo pelas crianças, que não enxergam o perigo”, afirma Francisco.

A filha do médico, Bibiana Ilgenfritz, contou que os quatis costumam comer carne, bolacha, frutas. Mas o pai da menina alerta. “Tivemos casos de quatis que machucaram um cachorro. As unhas são grandes e fortes, podem ferir seriamente”.

Aviso – Quem chega à portaria do Tênis Clube, na saída para Rochedo, lê o cartaz. “Cuidado com os quatis. Não alimente e não deixe comida à vista dos animais”. Mesmo assim, os animais circulam livremente pelo pátio e pela mata nos fundos do clube.

“Não tem do que reclamar. São demais de tranqüilos e comem qualquer coisa”, afirma o funcionário do clube, Erisvaldo dos Santos, que trabalha há 10 anos no Tênis Clube.

O encarregado do Jardim das Paineiras, vizinho ao clube, Joneci Dantas de Araújo, tenta dar explicação para o aparecimento dos quatis. “Tiraram o local onde eles viviam e comiam, os bichinhos tem que buscar comida. É natural”, relata o funcionário, que aponta os ninhos dos quatis em cima das árvores.

O mesmo problema é verificado no outro extremo de Campo Grande. Uma superpopulação de quatis é vista por moradores dos residenciais Maria Aparecida Pedrossian e Damha.

Segundo a associação de moradore invadem casas, entram em lixeiras e, por falta de alimento, acabam comendo até plástico.

O presidente da Amape (Associação de Moradores do Residencial Maria Aparecida Pedrossian), professor Jânio Batista de Macedo, conta que os animais já não têm mais medo das pessoas.

"Os bichos vêm em bandos e não esboçam medo, chegando a invadir até cozinha dos moradores. O que estamos registrando é morte desses amimais por ingerir produtos que não fazem parte da sua dieta alimentar: plásticos, recipientes de iogurtes e papéis”, disse

Especialista – O biólogo do Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) explica que os quatis aparecem em áreas residenciais atraídos pela comida fácil e pelo lixo mal acondicionado.

“Fomos chamados por pessoas que vivem perto do Tênis Clube, pois havia alguém que estava buscando restos de frutas em um supermercado e levava para os quatis. Isso é errado. Eles vivem na mata e tem como encontrar alimentos, pois são onívoros”, esclarece o biólogo Elson Borges.

Onívoros são animais que se alimentam de todos os alimentos. “Os quatis comem frutas, carnes, insetos e até minhocas”, acrescenta Elson.

O biólogo afirma que a falta de predadores naturais dos quatis causa aumento da população. O Cras pode ser acionado caso os animais representem algum risco para a população. “Apenas não alimente os quatis e deixem o lixo bem amarrado. Isso basta para mantê-los na mata”, finaliza Elson.


 


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