Capital
Internado há 2 anos, jovem quer fazer tratamento em casa
No ano em que concluiria a graduação de educação física,Marcelo Vaz da Silva, de 29 anos, está deitado em uma maca e respira poraparelhos. O seu estado de saúde é resultado de um acidente após um salto deparaquedas em 2013, em Campo Grande. Desde então, ele diz ser um peso para ohospital e luta para fazer o tratamento em casa. A Santa Casa diz que ainda nãoliberou o paciente por conta da decisão judicial que ele aguarda.
No momento do salto, meu instrutor disse que o equipamentoera adequado ao meu peso e que eu poderia saltar sem problemas. Eu já haviafeito seis aulas teóricas, gostava muito de esportes radicais, mas acabei medando mal. Agora quero ir para casa, pois já perdi muito tempo, afirmou aoportal G1 o paciente.
Na época, Marcelo ressaltou que, antes de contratar osserviços do instrutor, fez uma pesquisa a seu respeito. Eu vi que o nomedo professor constava na Confederação Brasileira de Paraquedismo e inclusiveele era o presidente da Federação do estado naquele ano. Não foi algoaleatório, eu pesquisei referências do instrutor, garantiu.
Embora tenha sofrido lesão grave na coluna, Marcelo estálúcido e acompanha tudo o que acontece ao seu redor. Nestes dois anos e doismeses no hospital, viu dezenas de pacientes passarem pelas camas ao lado e temcomo companhias familiares e amigos.
Ele percebe tudo o que acontece ao seu redor. Questiona aosenfermeiros qual medicação que está sendo aplicada nele, além de se informarsobre as sondas e outros procedimentos. Mas neste período pegou infecçãohospitalar duas vezes e quer ir para casa, comentou a irmã da vítima, VanessaCorrea da Silva, de 35 anos.
Desde que aconteceu o acidente, Silva mudou sua rotina paraajudar ao irmão. Trabalho como comerciante e agora entro às 14h30 para cuidardele. Venho diariamente ao hospital e fico sete horas aqui. Não é uma rotinafácil, sinto um desgaste muito maior aqui do que no meu trabalho, por exemplo.Meu irmão sempre trabalhou, pagou os impostos e só quer ir para casa, lamentaVanessa.
Home Care
Com processos em andamento, no qual a família pede aaplicação da Lei 8.0801990, eles dizem que vão encaminhar a decisão para oSupremo Tribunal Federal (STF), se for preciso. Nós sabemos que uma decisãorecente do Tribunal de Justiça determina a assistência hospitalar para ele noperíodo de três meses. Mas, como um juiz avalia o laudo médico da tetraplegia enão garante uma ajuda por tempo indeterminado?, questionou a irmã.
Enquanto não há decisão, a família procura uma brecha dalei. Nós estamos batalhando. Minha mãe, embora aposentada, continuoutrabalhando para ajudar com as despesas dele. Temos um gasto mensal de R$ 4mil, além do investimento de R$ 20 mil que já fizemos no quarto, com asinstalações necessárias, ressaltou a irmã.
Referência em trauma
Conforme a assessoria de imprensa da Santa Casa, o pacientedeu entrada no dia 19 de janeiro de 2013, às 14h30, e hoje é um pacienteconsciente, orientado e estável. Marcelo sofreu um choque medular, entrou emcoma e ficou internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) durante 2 meses,mas devido melhora significativa do seu quadro clínico, no dia 11 de março domesmo ano, foi transferido para a Unidade Intermediária (UI) - enfermaria.
O paciente em questão tem condições de alta, mas ele aguardadecisão judicial referente ao Home Care, que hoje ele utiliza do hospital.
A Santa Casa é referência em atendimentos de trauma degrande complexidade, e conta com uma equipe multiprofissional, que inclui afisioterapia diária oferecendo a assistência necessária para o tratamento dopaciente, realizando trabalho de desenvolvimento, tratamento e reabilitação dopaciente.
Investigação
No dia 25 de março deste ano, após inúmeros laudos edepoimento de testemunhas, a Polícia Civil indiciou o instrutor de cursos de 66anos. Ao G1, a delegada Célia Bezerra, titular da 4ª Delegacia de Polícia,disse que o suspeito responderá por lesão corporal culposa gravíssima.
A perícia apontou que o paraquedas não era específico parao peso da vítima. Na época, parentes que ele estava com 130 kg e o equipamentoaguentava, no máximo, 85 kg, isso com as vestes incluídas, explicou adelegada.
Em depoimento, o instrutor alegou que o jovem realizou umamanobra indevida no ar. No entanto, ele foi questionado pelo fato do poucotempo de instrução para já levar a vítima até o salto e também o motivo deentregar um equipamento errado, assumindo o risco de lesão causada na vítima.
Entenda o caso
O fato ocorreu no dia 19 de janeiro de 2013. O rapazpraticava salto de paraquedas em um aeroporto particular próximo a BR-262, nasaída para Três Lagoas. Após o acidente, ele foi socorrido pelo Corpo deBombeiros até o pronto-socorro da Santa Casa, onde permanece internado.











