PF pede autorização do STF para ouvir Lula na Lava Jato

Delegado diz que ex-presidente 'pode ter sido beneficiado'. Lula não comentou


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A Polícia Federal pediu autorização ao Supremo TribunalFederal (STF) para tomar depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvana maior investigação em curso na Corte sobre a Operação Lava Jato. Ainformação foi antecipada nesta sexta-feira pelo site da revista Época.


Para justificar o pedido, o delegado Josélio Azevedo deSousa diz que o petista pode ter sido beneficiado pela esquema em cursona Petrobras.


A assessoria do Instituto Lula informou que o ex-presidenteestá em viagem de trabalho à Argentina, não tem conhecimento do documento daPolícia Federal e por isso não vai comentar.


O inquérito apura a suposta participação de 39 políticos eoperadores em esquema de distribuição de recursos ilícitos a agentesparlamentares do PT, PMDB e PP. Embora Lula não tenha mais o chamado foroprivilegiado, o pedido foi enviado ao STF porque o inquérito envolve políticosque só podem ser investigados pelo tribunal.


Atenta ao aspecto político dos acontecimentos, apresente investigação não pode se furtar de trazer à luz da apuração dos fatosa pessoa do então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que, nacondição de mandatário máximo do país, pode ter sido beneficiado pela esquemaem curso na Petrobras, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, oumesmo para seu governo, com a manutenção de uma base de apoio partidáriasustentada à custa de negócios ilícitos na referida estatal, diz o pedido.


O pedido também diz que a investigação não pode estardissociada da realidade fática que se busca elucidar. O documentosublinha que trata-se de um esquema de poder politico alimentado comvultosos recursos da maior empresa do Brasil e que teria durado poraproximadamente 10 anos, compreendendo o período de governo de Lula.


Outro trecho diz que nenhum dos investigados nega quenomeações para diretorias da Petrobras demandaram apoiopolítico-partidário que, por sua vez, reverteu-se em apoio parlamentar,ajudando a formar, assim, a base de sustentação política do governo.


Dentro dessa lógica, os indícios de participação devemser buscados não apenas no rastreamento e identificação de vantagens pessoaisporventura obtidas pelo então presidente, mas também nos atos de governo quepossibilitaram que o esquema se instituísse e fosse mantido, uma vez que, talcomo já assinalado, não se trata apenas de um caso de corrupção clássico.


No pedido, a PF relaciona diversos trechos das delaçõespremiadas de Paulo Roberto Costa – ex-diretor de Abastecimento da Petrobrassuspeito de operar os desvios – e Alberto Youssef – doleiro que seriaresponsável por pagar propinas e lavar o dinheiro –, em que indicam anuência doex-presidente ao esquema.


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