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Ex-vereador depõe e fala de amizade misteriosa ao deixar sede do Gaeco
O ex-vereador de Campo Grande, Cristóvão Silveira, foi oúltimo a prestar depoimento ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão aoCrime Organizado) nesta semana. Foram mais de duas horas e na saída ele foievasivo nas respostas às perguntas feitas pelos jornalistas. Como a maioria dosque já foram ouvidos pelo Gaeco, o ex-vereador também disse que foi convidado acolaborar como testemunha.
Estamos a disposição da Justiça. O que a gente achou quedeveria fazer nós fizemos, declarou Silveira. Em determinado momento, eleafirmou: Fui chamado como testemunha, ele achou que eu deveria testemunharpelo nosso relacionamento, nossa amizade, e foi falado aquilo que a gente podiacontribuir. Mas ao ser questionado de quem estava de referindo e que amizade éessa, Cristóvão Silveira desconversou: A nossa amizade por Campo Grande.
Como todas as pessoas que aparecem nas escutas telefônicasinterceptadas pela Polícia Federal na Operação Lama Asfáltica conversando sobrea cassação do prefeito Alcides Bernal estão sendo notificados aprestar depoimento ao Gaeco, Cristóvão Silveira teria sido chamado paraexplicar o teor das conversas mantidas com o empreiteiro João Alberto KrampeAmorim dos Santos, dono da Proteco.
Nos grampos telefônicos feitos pela PF com autorização daJustiça Federal, no período em que Bernal foi retirado da Prefeitura, Silveirafala com Amorim sobre o assunto. Questionado sobre essas conversas, oex-vereador confirmou que falou por telefone com o empreiteiro, mas que essasconversas não significam nada. Silveira não tentou a reeleição no pleitopassado.
A Operação Lama Asfáltica, deflagrada no dia 9 de julhodeste ano, tem como objetivo investigar desvio de recursos federais na execuçãode obras no Estado, e esse esquema seria comandado pelo empreiteiro JoãoAmorim. A apuração vem sendo feita pela PF, CGU (Controladoria Geral da União),Receita Federal e MPF (Ministério Público Federal). De acordo com as investigações,Amorim também teria atuado no esquema para cassar Bernal da Prefeitura.
Como se trata de um assunto da esfera regional, o esquema dacassação de Bernal está sendo investigado pelo Gaeco, que no último dia 25deflagrou a Operação Coffee Break, em que 13 pessoas foram conduzidoscoercitivamente para depor sobre o assunto, entre eles empresários, vereadores,ex-vereador e ex-ocupantes de cargos públicos.
E nesta semana, além de Cristóvão Silveira prestaramdepoimento ao Gaeco o ex-governador André Puccinelli, o dono do siteMidiamax, Carlos Naegele, a vice-governadora e secretária Estadual dos DireitosHumanos, Assistência Social e da Mulher, Rose Modesto, a vereadora Carla Stephanini(PMDB), a ex-presidente da Fundac (Fundação Municipal de Cultura) JulianaZorzo, o empresário Luiz Pedro Guimarães, e o genro de Gilmar Olarte,Daniel Daige.
Na semana passada prestaram depoimento ao Gaeco o deputadoestadual Cabo Almi, os vereadores Ayrton de Araújo (PT) e Vanderlei Cabeludo(PMDB), o secretário Municipal de Governo, Paulo Pedra, e o ex-secretárioMunicipal de Planejamento e Finanças, Wanderley Ben Hur da Silva. A sócia deJoão Amorim, Elza Cristina Amaral, apresentou justificativa de que está comproblemas de saúde (gravidez de risco) e pediu o adiamento dodepoimento. Uma nova data deverá ser marcada.










