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Abatida, mãe de Eliza Samudio depõe e pede justiça
CAMPO GRANDE NEWS
Alguns quilos mais magra e muito abatida, Sonia de Fátima Marcelo da Silva Moura prestou depoimento hoje durante audiência na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Mato Grosso do Sul sobre o desaparecimento da filha, Eliza Samudio.
Sonia foi arrolada como testemunha do goleiro Bruno - acusado de ser o mandante da morte da filha e por Flávio Caetano de Araújo, motorista de Bruno e que também foi indiciado pelo homicídio.
O depoimento, que seria colhido ontem, foi transferido para hoje por falta de um representante da defesa de Bruno e Flávio. Nomeado para o ato, o defensor público Humberto Sena solicitou que Sonia Moura esclarecesse alguns pontos de depoimento prestado em Contagem, ainda durante as investigações do caso.
Na audiência, promotoria e defensoria esclareceram descrições dadas por Sonia sobre o comportamento e a personalidade de Eliza Samudio. “É uma estratégia suicida e absurda da defesa de Bruno. Arrolar a mãe da vítima é arrumar mais problemas para os próprios defensores”, opinou a advogada Maria Lúcia Borges Gomes, que atende Sonia.
Abuso sexual e fuga de casa - Segundo Sonia, Eliza Samudio viveu uma adolescência normal, vivendo entre a casa da mãe, em Anhanduí e a casa do pai, em Foz do Iguaçu (PR). Porém, em 2005, o pai foi acusado de ter abusado sexualmente da filha caçula, irmã de Eliza. O fato, segundo a mãe, a forçou a fugir de casa.
“Eliza fugiu da casa do pai em 2005. Pediu para um sobrinho meu que é mototaxista leva-la até uma BR com duas malas e sumiu. Cheguei a pedir ajuda para um jornalista para localizá-la. Assim que a encontramos voltamos a manter contato. Ela estava em São Paulo e não queria que o pai soubesse. Tenho certeza que a fuga tem relação sim com o caso de pedofilia que envolveu o pai dela na época”, disse em depoimento.
Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, responde a processo por abuso sexual de uma criança, mas o caso corre em segredo de justiça. Ele chegou a ser condenado a 8 anos de prisão, mas espera julgamento de recurso em liberdade.
Para a mãe, Eliza disse que trabalhava em eventos e que era muito reservada em relação a sua intimidade. Segundo Sonia, a filha era uma mulher responsável, honesta e que nunca abandonaria o filho, como alega a defesa de Bruno. “Ela jamais deixaria o Bruninho, em hipótese nenhuma. Sempre cuidou bem dele. Sei como ela era, como amava o irmão caçula...”, disse emocionada.
Estratégia da defesa -De acordo com o defensor público Humberto Sena, nomeado para a audiência, a defesa de Bruno provavelmente deverá contestar o comportamento de Eliza para colocar em duvida sua a morte.
Porém, segundo a advogada de Sonia, Maria Lúcia Borges Gomes, não há como os acusados se livrarem do crime. “O inquérito foi muito bem montado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Tudo está provado. Os depoimentos possuem provas relacionadas. Não há como escapar. Só o silêncio deles atrapalha”, garante.
Apelo de mãe -Muito emocionada após a audiência, Sonia fez um apelo para que Bruno ou os demais acusados revelem onde está o corpo de Eliza. “Espero que ele ainda tenha coração e revele onde ela está e esclareça esta história. Mão como, não durmo pensando nisso. É muito difícil saber que sua filha está morta e não enterra-la, dar um final digno”.
Sonia Moura deverá prestar novos depoimentos para a justiça mineira nos dias 8, 13 e 14 de outubro. As informações serão anexadas ao processo, que já possui cerca de 4 mil páginas.










