Máfia da merenda movimentou R$ 2 mi em propina, estima MP

Presos na Operação Alba Branca estão sendo ouvidos nesta semana; investigadores apontam que as fraudes podem chegar a 20 milhões de reais


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A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo estãotrabalhando com a possibilidade de que as fraudes em contratos com prefeituraspaulistas envolvendo a máfia da merenda escolar chegue a 20 milhões de reais,sendo 2 milhões de reais desse valor referentes a propinas.


Nesta quarta-feira, o servidor público estadual CarlosEduardo da Silva foi ouvido pelos investigadores. Silva e outras sete pessoas forampresas nesta terça-feira em um desdobramento da Operação Alba Branca. Eleé ex-diretor da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), envolvida noescândalo. Sua função no grupo era encaminhar pedidos de liberação de verbasfederais e estaduais para a cooperativa que, segundo a investigação, seriaapenas fachada para encobrir as atividades ilícitas.


A defesa de Silva negocia acordo de delação premiada, mas,segundo o promotor Leonardo Romanelli, isso vai depender do quanto ele estádisposto a colaborar. A todos os presos foi oferecido o acordo de delaçãopremiada. Segundo o apurado até agora, a Coaf fazia contato com lobistas quecombinavam com as prefeituras a fraude nos contratos da merenda. A polícia nãodescarta pedir a prorrogação da prisão dos envolvidos, que inicialmente é decinco dias.


O ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo(Alesp), Leonel Julio, de 81 anos, também deve depor. Integrante do antigo MDB,o ex-deputado dirigiu a Casa em 1976, quando foi cassado pelo regime militar. Ofilho do ex-presidente, Marcel Julio, que está foragido, negocia se apresentarnesta semana.


Todos os presos nesta terça-feira estão distribuídos em diferentescadeias da região ou separados por celas diferentes, para que não tenhamcontato entre si. Entre os documentos apreendidos pelo Operação, há um querelaciona valores que podem ser de propinas a setenta prefeituras.


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), defendeuas investigações nesta quarta-feira, durante visita a Araraquara. Elesfaziam o estelionato. O produto que entregavam não era da agriculturafamiliar, afirmou o governador, se referindo à Coaf. Sobre apossibilidade de envolvimento de agentes públicos estaduais no caso, Alckmindisse que o episódio foi descoberto pelo governo. Isso foi descobertopelo governo, pela polícia. E é rigor absoluto.


A investigação aponta para o suposto envolvimento do atualpresidente da Alesp, deputado Fernando Capez (PSDB), do ex-chefe de gabinete daCasa Civil do governo Alckmin Luiz Roberto dos Santos, o Moita, e de outrosparlamentares no esquema.


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