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Obras da Rio-2016 já mataram mais trabalhadores do que em todas as cidades da Copa de 2014
Onze funcionários morreram em obras ligadas à Olimpíada desde 2013
GAZETA PRESS E ESTADãO CONTEúDO
A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Rio deJaneiro divulgou nesta segunda-feira um levantamento mostrando que 11funcionários morreram em obras ligadas à Olimpíada do Rio de Janeiro desde2013. O número já supera as oito vítimas das obras nas 12 cidades-sede da Copado Mundo de 2014.
Três das onze vítimas morreram nas obras de extensão dalinha 4 do metrô carioca, duas na construção do Parque Olímpico, outras duasnas obras do Museu da Imagem e Som e Museu do Amanhã e a restante em relação àreformas do transporte, na ampliação do Elevado do Joá, a Transolímpica, e naSupervia.
Isso tudo foi causado por falta de planejamento, semdúvida. É a correria na hora de concluir, comentou Elaine Castilho,auditora que coordena a fiscalização. Os operários não podem ter jornadasde trabalho exaustivas. Se isso acontecer, suspenderemos as obras,afirmou o superintendente Robson Leite.
Algumas obras chegaram a ser suspendidas por problemas comoausência de material de segurança e falhas no sistema elétrico. Osuperintendente ressaltou, também, que nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012,não ocorreram mortes.
Energia - Um dos graves problemas relacionados àorganização dos Jogos diz respeito ao fornecimento de energia. Na semanapassada, houve queda de luz em dois eventos-teste no Parque Olímpico (ginásticaartística e natação), o que gerou reclamação de atletas e federações. Osincidentes são consequência do atraso na definição sobre quem pagaria pelaenergia temporária durante a Olimpíada. Recentemente, o orçamento para ofornecimento de energia para a Rio-2016 sofreu um corte de 66 milhões de reais.
O Pré-Olímpico de Ginástica Artística, disputado na ArenaRio, teve pelo menos duas quedas de energia, enquanto o Troféu Maria Lenk, queaconteceu no Estádio Aquático Olímpico, teve a prova mais esperada, em queCesar Cielo perdeu sua vaga na Olimpíada, adiada em 45 minutos por falta deluz. O problema já havia acontecido na inauguração do estádio, no início domês.
Somente no final de fevereiro, a pouco mais de seis meses doinício da Olimpíada, foi decidido quem pagaria a conta. Em Londres-2012, agarantia foi dada 18 meses antes da abertura. O governo federal havia secomprometido a pagar a energia temporária até o teto de 290 milhões de reais,mas o valor só foi suficiente para garantir o pagamento relativo ao ParqueOlímpico.
Pelos cálculos iniciais dos organizadores, seriamnecessários mais 170 milhões de reais para garantir a energia temporária noComplexo Esportivo de Deodoro, na região do Maracanã, que inclui também oEngenhão, e de Copacabana. Caberia ao Estado arcar com o restante.
A crise financeira do Rio fez com que o governador LuizFernando Pezão (PMDB) encaminhasse em dezembro um projeto de lei à AssembleiaLegislativa solicitando que os 170 milhões de reais fossem pagos medianterenúncia fiscal. A Light se propôs a instalar o sistema em troca de desconto nacobrança de ICMS.
A Assembleia aprovou a proposta no fim de fevereiro, mas comredução de 50% em relação ao pedido original, o que deixou um rombo de 85milhões de reais a ser fechado pelos organizadores. O Rio-2016 refez as contas,readequou o projeto e cortou 66 milhões de reais entre o que havia sidoproposto originalmente e o que está sendo implantado.
A entidade, porém, não esclareceu o que foi cortado. O custofinal ficou em 104 milhões de reais e o próprio comitê se comprometeu a pagar adiferença de 19 milhões de reais.
Diretor de Esportes do Comitê Rio-2016, Rodrigo Garciareconheceu os problemas, mas afirmou que existe risco zero de issose repetir na Olimpíada. Energia é um tema que a gente está estudandomuito, mas, para os eventos-teste, é uma configuração totalmente diferente.Basta dizer que o maior consumidor de energia não está aqui, que é obroadcast, afirmou, referindo-se a toda estrutura necessária para atransmissão de TV dos Jogos.
Mesmo dizendo que não teve culpa das quedas de luz noseventos-teste, e que a responsabilidade é do Comitê Rio-2016, a Light informouque vem desenvolvendo rigoroso plano de manutenção e operação que cobreos quatro clusters olímpicos.










