Delcídio acusa Renan de gangsterismo e revanchismo


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Logo depois da cassação do seu mandato pelo plenário doSenado, Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) acusou o presidente do Senado, RenanCalheiros (PMDB-AL), de gangsterismo por ele ter acelerado avotação que levou à perda de seu cargo – para que ela não acontecesse após avotação do impeachment da presidente Dilma Rousseff, marcada para esta quarta(11).


Em nota assinada conjuntamente com seus advogados, Delcídioconfirmou que irá recorrer da decisão do Senado e repudiou, comveemência, a forma sorrateira e desleal com que Renanmancomunou a reviravolta da deliberação da CCJ (Comissão de Constituição eJustiça) tomada nesta segunda (9) de adiar a análise do processo dosenador.


A liturgia do rito de cassação foi conspurcada pormanobra traiçoeira, típica do gangsterismo que intimida pessoas e ameaçainstituições, com o espírito revanchista de quem se julga acima da lei e doDireito, diz o texto.


De acordo com a defesa, a votação da cassação de Delcídionesta terça foi feita de maneira açodada e reflete umaretaliação vil à sua condição de colaborador da Justiça. A manobrapara alterar o que fora inicialmente deliberado revela a preocupação de quempretende manter-se nas sombras da impunidade, diz a nota.


Como a “Folha de S.Paulo” mostrou nesta terça, a defesa doagora ex-senador irá entrar com uma representação criminal contra Renan na Porcuradoria-Geralda República para pedir o seu afastamento do cargo, por entender que Renanutilizou-se de suas prerrogativas para manipular o plenário da Casa de forma aconcluir a votação pela cassação antes da votação do impeachment de Dilma.


A presidente Dilma havia pressionado Renan a pautar avotação da cassação de Delcídio no plenário da Casa antes da apreciação daadmissibilidade do impeachment da petista porque ela não queria ter entre seusalgozes alguém que foi líder do seu governo no ano passado. Delcídio já haviadeclarado publicamente sua intenção de votar pelo impeachment.


Questionado sobre a intenção da defesa de Delcídio derepresentar contra ele, Renan se comparou, de forma lacônica, à São Sebastião,mártir cristão. O que é que significa mais uma flechada em SãoSebastião?, disse.


Leia a íntegra da nota:


NOTA À IMPRENSA

Em data de ontem, 09 de maio de 2016, a COMISSÃO DECONSTITUIÇÃO, JUSTIÇA E CIDADANIA do SENADO FEDERAL (CCJCSF), aprovou, poresmagadora maioria, judicioso requerimento formulado pelo Senador ALOYSIONUNES, no sentido de que fosse expedido ofício ao SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL e àPROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA, a fim de que houvesse o traslado do aditamentoda denúncia que apura os mesmos fatos versados na representação formuladacontra o Senador DELCÍDIO DO AMARAL.


Momentos depois de consumada a resolução da CCJCSF, sem quehouvesse o cumprimento das providências deliberadas, sobreveio um fatoinusitado: o Presidente do Senado, RENAN CALHEIROS ameaçou adiar a votação doimpeachment da Presidente DILMA ROUSSEFF, caso não houvesse, antes, a votaçãoda cassação do Senador DELCÍDIO DO AMARAL. Em consequência, a CCJCSF instalouuma reunião extraordinária, revogando a deliberação que houvera sido aprovada,momentos antes. Assim, foi aprovado o relatório e aprazada, para hoje, a sessãode votação da cassação do mandato do Senador DELCÍDIO.


À par das ilegalidades que serão oportunamente impugnadaspelas vias judiciais cabíveis, a Defesa vem a público repudiar, com veemência,a forma sorrateira e desleal com que o Presidente do Senado mancomunou areviravolta da deliberação da CCJCSF. A liturgia do rito de cassação foiconspurcada por manobra traiçoeira, típica do gangsterismo que intimida pessoase ameaça instituições, com o espírito revanchista de quem se julga acima da leie do Direito.


A maneira açodada com que se precipitou a sessão de cassaçãodo mandato de DELCÍDIO DO AMARAL, com atropelo de ritos e supressão degarantias, reflete uma retaliação vil à sua condição de colaborador da Justiça.A manobra para alterar o que fora inicialmente deliberado revela a preocupaçãode quem pretende manter-se nas sombras da impunidade e esconder o aditamentorecentemente oferecido pela PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA perante o SUPREMOTRIBUNAL FEDERAL.


A tentativa de emudecer DELCÍDIO DO AMARAL e esconder o jámencionado aditamento será objeto de pronta representação contra o SenadorRENAN CALHEIROS, por obstruir o procedimento e constranger a Casa legislativa.Ainda em tempo, cabe esclarecer que a Defesa constituída repele a nomeação dedefensor ad hoc e não se fez presente à sessão para não compactuar com asarbitrariedades dessa comédia de fantoches, protagonizada pelo autoritarismo dequem se encastela no poder de ameaça e intimidação.


DELCÍDIO DO AMARAL GOMEZ
ANTONIO AUGUSTO FIGUEIREDO BASTO
ADRIANO SÉRGIO NUNES BRETAS


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