Érika supera trauma olímpico, dor nível 'morte-mãe' e luta por medalha no Rio

Após ser cortada da Olimpíada de Pequim 2008 e perder na estreia em Londres 2012, brasileira nº 4 do mundo do peso-meio-leve diz: "Minha motivação hoje é muito maior"


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O sorrisão estampado no rosto esconde um trauma olímpico,uma dor profunda, nível morte-mãe - seja lá o que isso for. Quemolha só pros últimos anos, encontra uma judoca constante, com pódios nosMundiais de 2013, 2014 e 2015, fechando o ciclo dos Jogos do Rio de maneiraprecisa. Mas a convocação para a segunda participação e meia nasOlimpíadas traz de volta uma frustração na vida de Érika Miranda.


Em 2008, aos 21 anos, a brasiliense foi chamada para a suaprimeira Olimpíada. Já em Pequim com a delegação brasileira, acabou cortadadevido a uma lesão no joelho direito que ela tentava se curar. AndressaFernandes a substituiu. Sua meia experiência olímpica ficava paratrás. 


Quatro anos mais tarde, Érika mais uma vez garantia sua vaganos Jogos, agora em Londres. Em 2012, chegava como a quarta melhor do mundo dacategoria meio-leve (52kg), com boas chances de medalha para o Brasil. Oprimeiro dia do judô naquela Olimpíada foi histórico. Sarah Menezes tornou-se aprimeira judoca a ser campeã olímpica do país, e Felipe Kitadai ainda beliscouum bronze inesperado. A expectativa era grande pela melhor campanha de todos ostempos da modalidade mais vitoriosa do esporte verde e amarelo. 


Mas a derrota logo na estreia para a sul-coreana Kyung-OkKim, a qual havia vencido duas vezes anteriormente, deixava mais uma feridaaberta. Foi preciso muito trabalho psicológico e meditação para que Érikatirasse proveito do trauma olímpico que cismava em rondá-la. Treinou forte emirou cada competição como um degrau para os próximos Jogos. Em 2013,conquistou a medalha de prata no Mundial do Rio. No ano seguinte, o bronze noMundial de Chelyabinsk. E em 2015, novamente ficou com o bronze no Mundial deAstana. Não foi perfeito. Faltou o ouro, como ela mesma brinca. 

Porém, umgrande passo para conseguir encarar a competição mais importante que está porvir, em agosto, no Rio de Janeiro.


- Existia um trauma, sim. Mas acho que isso foi trabalhadonos últimos quatro anos. Eu tive a experiência de ir para Pequim e não lutar.Fui para Londres e perdi na primeira luta. Eu brinco com as meninas que foi umnível morte-mãe. Foi uma dor tão profunda, uma dor que eu nãoconsigo te dizer o que faz isso surgir. Mas a minha motivação hoje é muitomaior. Tive várias perdas, mas tive muitas conquistas - afirma Érika, hoje com29 anos. 


À frente de Érika Miranda no ranking mundial, apenas AndreeaChitu (Romênia), Majlinda Kelmendi (Kososo) e Misato Nakamura (Japão). Abrasileira será uma das cabeças de chave do torneio, e, com isso, teoricamenteenfrenta adversárias mais fáceis logo de cara. Teoricamente. O momento nãopoderia ser melhor. A peso-meio-leve entra em ação no dia 7 de agosto, notatame que será montado na Arena Carioca 2. E ela conta com a vibração cariocapara sair com o tão sonhado pódio olímpico para espantar qualquer trauma.


- Olimpíada é uma competição totalmente diferente de tudo, éuma energia muito grande. Todo atleta se pressiona muito, é de quatro em quatroanos, é especial. Mundial é todo ano. Estou num momento muito bom da minhacarreira. Me sinto preparada para disputar uma Olimpíada com chances reais demedalha, fazendo o meu melhor, o que eu realmente amo. Todo sonho do atletaolímpico é uma medalha olímpica - finaliza.


Os próximos compromissos da seleção olímpica serãotreinamentos de campo no Brasil e na Europa. A equipe masculina está reunida emPindamonhangaba até o dia 16 de junho, enquanto a feminina realiza treinamentointernacional em Perpignan, na França, até 18 de junho. As disputas do judôocorrem de 6 a 12 de agosto, na Arena Carioca 2, no Parque Olímpico.


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