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Sérgio Machado diz ter repassado propina a mais de 20 políticos
Delator da Lava Jato citou políticos de PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PCdoB
O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou ainvestigadores da Operação Lava Jato, em depoimentos de delação premiada, terrepassado propina a mais de 20 políticos de 6 partidos. O novo delator da LavaJato contou aos procuradores da República sobre pedidos de doações eleitoraisde parlamentares de PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PC do B.
O acordo, que pode reduzir eventuais penas de Machado, emcaso de condenação, foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator daLava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
A íntegra da delação premiada de Machado, de 400 páginas,foi tornada pública no início da tarde desta quarta-feira (15). Algunsdestaques:
- Machado diz que repassou propina a mais de 20políticos ao longo de 11 anos;
- a propina, segundo ele, ela paga por meio de doações eleitoraisoficiais;
- alguns políticos também receberam dinheiro em espécie, diz ele;
- Machado diz que Michel Temer pediu doação de R$ 1,5 milhão para GabrielChalita.
Segundo o ex-dirigente da subsidiária da Petrobras, ospedidos de doações eram repassados por ele a empreiteiras contratadas pelaestatal do petróleo. O PMDB, responsável pela indicação de Machado, teriaarrecadado R$ 100 milhões, informou o delator.
Entre os políticos que teriam pedido doações, afirmouMachado, estão o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), os senadores JaderBarbalho (PMDB-PA), Romero Jucá (PMDB-RR) e Edison Lobão (PMDB-MA), além doex-presidente da República José Sarney.
Machado disse que os cinco foram os responsáveis por suaindicação para o comando da Transpetro, que presidiu entre 2003 e 2014. Teriamrecebido propina tanto por meio de doações eleitorais quanto em espécie.
Entre integrantes do PMDB, também teriam recebido propina, na forma de doações,Valdir Raupp (PMDB-RO), Garibaldi Alves (PMDB-RN), o deputado Walter Alves(PMDB-RN), o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves.
Entre os políticos do PT estão Cândido Vaccarezza (PT-SP), Luiz Sérgio (PT-RJ),Edson Santos (PT-RJ), Ideli Salvatti (PT-SC), Jorge Bittar (PT-RJ). Tambémcitou Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e o vice-governador do Rio de JaneiroFrancisco Dornelles (PP-RJ).
Outros nomes citados foram do deputado Heráclito Fortes (ex-DEM, hoje noPSB-PI), do ex-senador já falecido Sérgio Guerra (PSDB-PE), do senador JoséAgripino Maia (DEM-RN) e do deputado federal Felipe Maia (DEM-RN).
Embora a palavra propina não fosse dita, essespolíticos sabiam, ao procurarem o depoente, não obteriam dele doação comrecursos do próprio, enquanto pessoa física, nem da Transpetro, e sim deempresas que tinham relacionamento contratual com a Transpetro, disseMachado na delação.
Temer e Chalita
Sérgio Machado também relatou em sua delação premiada que o presidente emexercício, Michel Temer, pediu a ele que obtivesse doações oficiais para oex-deputado federal Gabriel Chalita para a campanha a prefeito de São Paulo em2012.
Em depoimento aos investigadores da Lava Jato, oex-dirigente da Transpetro narrou um encontro que teve com Temer em setembrodaquele ano. Na ocasião, eles teriam acertado o valor de R$ 1,5 milhão para acampanha de Chalita, pagos, segundo ele, pela construtora Queiroz Galvão aodiretório do PMDB.
O contexto da conversa deixava claro que o que MichelTemer estava ajustando com o depoente [Machado] era que este solicitasserecursos ilícitos das empresas que tinham contratos com a Transpetro na formade doação oficial para a campanha de Chalita, diz trecho da delação.
Machado explicou que fez contato diretamente com osexecutivos da empreiteira Ricardo Queiroz Galvão e Idelfonso Colares. O valor,acrescentou, era oriundo do pagamento de vantagem indevida pela QueirozGalvão de contratos que ela possuía junto a Transpetro.
Em conversa gravada com Sarney e revelada no fim de maio, Machado menciona oencontro com Temer, que segundo ele serviu para discutir contribuições àcampanha do menino, que para os investigadores era Gabriel Chalita.
Na ocasião, Temer negou que tenha pedido doação a Machado para Chalita. Eledisse também que não foi candidato nas eleições municipais de 2012 e nãorecebeu nenhuma contribuição. Michel Temer disse também que nunca se encontrouem lugar inapropriado com Sérgio Machado.











