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BNDES vai rever condições de financiamento de infraestrutura
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) pretende rever suas premissas de financiamento, segundo a presidenta dainstituição, Maria Silvia Bastos. A revisão pode acarretar redução daparticipação do BNDES, que chegou a até 80% em alguns negócios subsidiados pelobanco público. O BNDES é responsável por financiar setores estratégicos para economia brasileira,oferecendo melhores condições que os bancos privados.
Rever, pode ser atéficar igual, mas vamos rever, disse hoje (13) a presidenta da instituição empalestra na Fundação Getulio Vargas, no Rio. O ambiente é extremamentepropício, todo mundo quer fazer isso, provavelmente, alguma novidade deve vir,completou Maria Silvia.
Caso haja alterações nas premissas de financiamento, um dosprimeiros setores a serem impactados será o elétrico, que tem leilões para atransmissão e geração de energia marcados para setembro.
Por isso, as mudanças estão sendo discutidas com oMinistério de Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).Uma reunião entre os órgãos será feita nos próximos dias para revisitar o queestá indo bem e o que precisa ser revisitado, segundo Maria Silvia. Apresidenta do BNDES defende medidas que aumentem a concorrência.
Participação privada
Diante da possibilidade de reduzir o percentual definanciamento do BNDES em investimentos de infraestrutura, a executiva querinduzir também o aumento da participação do setor privado nesses negócios.Segunda Maria Silvia, tem muito dinheiro sobrando [no mercado].
Olha, o papel do BNDES também é de coordenação em relaçãoao mercado de capitais. Existe uma crítica muito grande, que, em alguma medida,deve ser verdadeira, que o banco, ao ser tão presente e tão forte nosfinanciamentos, acaba deixando o setor privado de lado, avaliou.
A presidenta do banco também comentou a possibilidade devenda de ações do BNDESpar, subsidiária responsável por gerir as participaçõesdo BNDES em empresas privadas e uma das principais fontes de recursos dainstituição. Segundo ela, a proposta está sendo analisada, mas nada será feitode qualquer maneira.
Estamos estudando a carteira para entender todos os ativosque temos. Se, em algum momento, entendermos que aquele investimento estána hora de ser desmobilizado, vamos fazer, até porque, o objetivo da carteira ésempre apoiar novos projetos.
Privatizações na década de 1990
De volta ao BNDES, de onde saiu após o impeachment doex-presidente da República Fernando Collor de Mello, que fez uma série deprivatizações no país, Maria Silvia disse nesta quarta-feira que o banco tevepapel central nas concessões ao setor privado nas últimas décadas.
Apesar de reconhecer problemas, como na privatização detelefonia, cujos serviços até hoje são criticados pelos clientes pelo altocusto, Maria Silvia avaliou que vendas de empresas públicas na década de 1990ajudaram a alavancar companhias deficitárias. A executiva citou a CompanhiaSiderúrgica Nacional (CSN), da qual foi presidente, e que antes deprivatização, tinha uma déficit de U$ 400 milhões. Por outro lado, lembrou, onúmero de funcionários da companhia, uma das maiores do segmento na AméricaLatina na época, diminuiu de 22 mil para 9 mil.
Olhando para trás, existem críticas, as pessoas falam,sempre dá para aperfeiçoar, mas foi um trabalho muito bem-feito, que colocou opaís em outro patamar, disse a presidenta do BNDES sobre o modelo adotado porCollor, que usou as dívidas das empresas estatais como moeda na privatização.










