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Usuários consomem crack durante o dia
CAMPO GRANDE NEWS
A cena normalmente é vista em qualquer grande centro brasileiro, como Rio de Janeiro e São Paulo. Mas é no trecho da Avenida Calógeras, entre as ruas Antonio Maria Coelho e Maracaju, no centro de Campo Grande, que o consumo de crack tornou-se parte da rotina dos moradores e comerciantes da região.
O Campo Grande News esteve no local, e viu grupos de jovens e adultos consumindo a droga em plena luz do dia.
A situação mostra violência eminente. A equipe de reportagem chegou a ser ameaçada caso se aproximasse demais dos usuários. “Se tirar foto ‘de nóis’ vai voar facada. Vaza, vaza”, ordenou o suposto líder do grupo.
Os usuários concentram-se na área por onde passavam os trens da Noroeste do Brasil, desde a Morada dos Baís até a Estação Ferroviária. Próximo a diversos prédios históricos fechados por conta da mudança do foco do centro comercial para ruas como 14 de Julho e 13 de Maio, o consumo de crack e outras drogas desenha a triste realidade do abandono.
“Isso começou a ficar mais intenso há cerca de 1 ano, quando fecharam a rodoviária. Esses moleques desocupados vieram tudo para cá e viver aqui ficou mais perigoso”, conta o sapateiro Iteler Silveira Leite, de 68 anos, que há 36 anos mantém comércio no local.
O comerciante comenta que não sofreu qualquer violência, mas o clima de tensão permanece todos os dias. “A gente nunca sabe o que eles podem fazer. Outro dia, rolou uma briga feia, até esfaquearam um deles. Para atingir a gente, não vai demorar”, denuncia Iteler.
Quem trabalha na região, prefere não comentar, mas vivencia o problema. Funcionários de uma oficina automotiva contam que a situação é a mesma há anos. “Tem uma menina que dorme todos os dias por aqui. Ela usa droga durante o dia e acaba dormindo na rua. Tentamos tira-la, mas não deu certo. Ela sempre volta”, contou o funcionário, que preferiu para não ser identificado.
Os usuários quebraram as vidraças da oficina e depredaram os prédios históricos da Avenida Calógeras. Há relatos de que além da área atrás dos prédios sem uso na Avenida Calógeras, os usuários de crack se escondem nos botecos e hotéis baratos na região.
Outro lado – A situação apontada por Iteler é contestada pela Polícia Militar da antiga Rodoviária. De acordo com o Cabo Emerson José Ajonas, os usuários de crack que freqüentavam a região da rodoviária “migraram” para a Vila Nhánhá, famoso reduto de tráfico e consumo de entorpecentes.
“A PM já conseguiu identificar a migração dos usuários. Aqui na região da Rodoviária, reduziu bastantes os problemas”, explica Emerson, que cita seis mandados de prisão envolvendo o tráfico de drogas que foram cumpridos no mês de outubro.
Um ponto conhecido na região, a Casa Rosa, continua em pleno funcionamento. Durante o dia, é possível observar um trânsito de pessoas, que freqüentam a casa para comprar e consumir drogas.
Segundo relatos da PM, uma senhora de 86 anos mora na casa, mas não pode ser removida do local por questões legais. Enquanto isso, o tráfico domina o centro velho de Campo Grande.










