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Publicado em: 03/03/2018 às 08h33

Atriz da Globo escolhe estudar na UEMS: ‘Campo Grande tem clima de interior’

A Ágata de "Avenida Brasil"


- Midiamax

Foto: Midiamax

A Ágata de "Avenida Brasil"

Campo Grande, com suas características de “cidade grande com clima de interior” é o novo lar de Karol Lannes, que escolheu cursar artes cênicas na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), ao invés de ir para Alagoas ou Rio Grande do Sul. A atriz tem só 17 anos mas já é dona de uma longa carreira.

 

Ela atua desde os 6 anos e entre seus maiores trabalhos estão a Ágata de “Avenida Brasil”, a rejeitada filha da vilã Carminha, interpretada por Adriana Esteves, e Marcelina do filme “Minha mãe é uma peça”, com Paulo Gustavo. “Ele é maravilhoso! Foi logo depois da novela. Foi maravilhoso! As novelas foram experiências muito boas, mas fazer o filme com ele foi muito diferente, foi uma vibe muito gostosa”, detalha.

 

E agora ela está por aqui. “Não passei em São Paulo e nem no Rio, aí as outras opções eram Alagoas e Santa Maria. Preferi Mato Grosso do Sul porque Campo Grande é uma cidade grande, uma cidade universitária, mas tem um clima bem de interior, o pessoal é muito humano”, explica Karol, que já está na Capital há duas semanas. “É muito lindo aqui, estou apaixonada por essa faculdade”, acrescenta mostrando o campus da UEMS.

 

Mas Karol ainda não teve tempo de conhecer a Cidade Morena. Perguntada sobre quais rolês já deu por aí, ela diz que não teve muitas oportunidades ainda. “Tivemos algumas festas de calouro, mas tudo por aqui. Gui no centro para resolver questões do passe [do estudante] e banco. Fui também no show do Thiago Brava. Adoro ele”, conta.

 

A linha de ensino da UEMS no curso de artes cênicas foi outro motivo que fez com que Karol viesse para Campo Grande. “A linha que seguem de artes cênicas aqui é muito humana. Como é licenciatura, é mais voltado pra um ator educador. Não tem muito essa coisa de tratar o ator como celebridade, como a gente vê aí fora, mas sim como um trabalho comum em que a pessoa que trabalha com arte. Isso tira muito a gente dessa coisa de ‘Globo’”, diz Karol. “Estou há duas semanas aqui, mas já estou apaixonada por todas as aulas e acho que fiz a coisa certa”.

 

Quando concluir o curso, Karol pretende continuar os estudos e trabalhar, mas nos Estados Unidos, o que era seu desejo para 2018. “Eu ia para os Estados Unidos em setembro, ia fazer um intercâmbio de dois anos porque queria me especializar lá e trabalhar por lá. Meu sonho sempre foi trabalhar lá fora. Eu não ia entrar na faculdade agora, prestei mais pelos meus pais e se eu não passasse eles me ajudariam a ir pra fora. E eu achei que não fosse passar”, relata.

 

Mas Karol avaliou que ao término do curso ela estaria mais madura, tanto artística com o pessoalmente e poderia aproveitar melhor a experiência em um país estrangeiro. Entretanto ela revela que se surgir alguma proposta concreta de trabalho, ela permanece no Brasil.

 

“Sou normal”

 

E simplicidade é uma das características da atriz, além da simpatia e maturidade. Por conta de ser uma pessoa normal, como ela mesma se define, e conta que às vezes as pessoas se decepcionam quando a conhecem, por seu jeito simples.

 

“As pessoas se desapontam comigo um pouco, às vezes, porque as pessoas criam uma expectativa muito grande em cima de do que é ser ator, o que é ser celebridade. E quando me conhecem, ficam meio decepcionados eles falam “ela não é tudo isso”. Eu sempre foquei no meu trabalho, em estar com os textos decorados, em estar com o personagem feito, com a imersão boa. O jeito que eu aparento fora da telinha, não acho que interfira no meu trabalho. As pessoas te maquiam, arrumam seu cabelo, mas não é assim que eu sou normalmente”, define.

 

Hoje Karol lida com esta reação mais tranquilamente, mas quando era mais nova, isso a incomodava. “Eu sofri muito. quando entro num lugar novo, as pessoas criam uma expectativa muito alta de mim, e as pessoas se decepcionam. Então ficam aqueles fuxicos ‘ela não é tudo isso’, mas eu nem me incomodo mais porque já fui calejada. Mas no início me incomodava muito, porque eu não estava atendendo à expectativa dos outros. Mas eu estou ‘sendo eu’, se não for suficiente, sorry, não tem o que eu fazer. Não vou gastar 50 minutos me arrumando pra vir pra faculdade só pras pessoas dizerem ‘que linda, igual nas fotos’. Não vou ficar perdendo meu tempo pra ficar passando uma imagem para os outros”, dispara.

 

De pés descalços, sentada no chão e cantando com os colegas da faculdade, Karol está satisfeita com suas escolhas e pretende aproveitar ao máximo a vida na universidade.

 

Filha de ‘dois’ pais

 

Karol nasceu em Sapucaia do Sul, no Rio Grande do Sul e sua mãe morreu quando ela tinha 4 anos. Ela foi adotada pelo tio, que algum tempo depois se casou com outro homem. “Sempre foi muito natural para mim. Tinha e tenho muito apoio da comunidade LGBT. Sempre defendi a causa. Muitos casais gays me procuravam e perguntavam como eu havia sido criada, pois queriam adotar uma criança. Eu ficava muito feliz”, relembra.

 

Este foi mais um ponto de ligação entre Karol e seus colegas de faculdade. “Sempre procurei estar dentro de tudo sobre o assunto. Isso é muito bom porque ainda mais num curso de humanas, que a gente sabe que o pessoal é muito mais mente aberta. Estar aqui, estar com essas pessoas, é muito bom saber que as pessoas gostam da minha família e se identificam”.