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PT de MS quer valorizar 'identidade de esquerda' em Dourados e inibir traições
MIDIA MAX
Petistas de todo Mato Grosso do Sul se reúnem neste sábado em Campo Grande para avaliar o resultado das últimas eleições e definir metas partidárias no estado. A reunião foi convocada pela corrente CNB (Construindo um Novo Brasil), mas já recebeu adesão de outros grupos importantes do partido, como a AE (Articulação de Esquerda). "Como o partido como um todo não quis avaliar, nós queremos e chamamos a militância", diz Zeca do PT.
Membro da CNB, corrente interna do PT que congrega as principais lideranças nacionais e apontada como a mais influente para o futuro governo da presidenta Dilma Rousseff, Zeca do PT explica que a reunião é uma tradição petista. "O PT, como um partido de massas, com posicionamento ideológico, não pode deixar essas práticas históricas de lado. Temos que discutir, identificar os erros, e planejar o futuro", pondera.
Nacionalmente, já foi realizada uma reunião de avaliação da campanha de Dilma Rousseff com a presença de representantes da CNB de MS. Segundo Zeca do PT, com a eleição da presidenta petista se inaugura novo tempo para o partido. "Algumas discussões muito importantes estão no foco, como, por exemplo, a cobrança de um comportamento ético das lideranças petistas", diz.
Inibir as traições
O "comportamento ético" do qual fala Zeca, que concorreu ao governo de MS nas últimas eleições, envolve a inibição de traições entre lideranças durante as campanhas. "Não vamos deixar nenhuma ferida aberta, mas precisamos por o dedo para limpar e cicatrizar em algumas questões. Todos sabemos, por exemplo, que o Delcídio deliberadamente participou de reuniões de adversários e em muitas chegou a pedir votos para o Puccinelli, que é nosso adversário histórico", lembra.
Segundo Zeca, além de cobrar mais comprometimento ético, é preciso ao PT de Mato Grosso do Sul resgatar o que ele chama de "identidade de oposição". Apontando a pequena diferença de votos que deu a vitória ao PMDB, de aproximadamente 170 mil votos a mais para André Puccinelli, o petista mostra que a eleição foi definida em seis ou sete cidades grandes do estado.
"A diferença de 170 mil votos foi definida justamente nas maiores cidades sul-mato-grossenses, como Campo Grande, Três Lagoas ou Dourados, nas quais o PT perdeu a identidade de oposição por abrir mão de marcar posição, de concorrer em eleições anteriores", analisa.
Petistas de Dourados devem discutir
Com relação à eleição extra de Dourados, que acontece no próximo dia 6 de fevereiro, o ex-governador diz que não vê espaço para alianças que se aproximem do projeto político das esquerdas em MS. "Antes de qualquer conversa com outras pessoas, temos que ouvir os aliados que estiveram juntos nas últimas eleições, nas quais tivemos um desempenho muito bom. Temos um bloco político forte e temos que conversar com o PV, que tem a Tatiana, com o PSB, o PDT", explica.
Murilo ou Geraldo: "sem conversa"
"Sou a favor de discutirmos, mas o principal é assegurarmos o direito dos companheiros de Dourados de avaliarem os rumos que o partido deve tomar. Amanhã pretendemos sair com um indicativo para o diretório, para a companheirada douradense, discutir as alianças ou as condições da candidatura própria localmente", defende.
"Não tem porque ter conversa com Murilo (DEM) nem com Geraldo Resende (PMDB), porque nós temos que marcar nossa posição. Nós somos oposição ao PMDB em MS, e há até indicativo nacional proibindo alianças à direita", explica.
Oposição na ALMS: compromisso ético
"Está provado que, onde o PT perdeu a identidade de oposição, perdeu nas eleições em Mato Grosso do Sul. Foram seis ou sete cidades que decidiram a eleição. Agora, justamente por isso, temos que cobrar esse compromisso dos eleitos. Nós saímos bem apesar de enfrentar uma estrutura poderosa. Fizemos sete deputados na coligação", avalia.
"Estes deputados estaduais que ampliaram a oposição na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, pelo menos no imaginário do eleitor, possuem agora um compromisso ético muito sério", pondera. Segundo Zeca, o bloco político que disputou as últimas eleições vai cobrar posicionamento condizente.
"Não dá, por exemplo, para esses sete deputados estaduais legitimados pelo voto, de antemão se submeterem a uma candidatura de Jerson Domingos, de Londres Machado, por exemplo. Nós saímos de cabeça erguida das eleições, ampliamos nossos espaço, e o momento é propício. Temos que reforçar nosso papel de oposição ao governo autoritarista de André Puccinelli, do PMDB em MS", conclui.
Questões nacionais e cargos federais em MS
Em âmbito nacional, onde o posicionamento de André Puccinelli se destacou negativamente entre os petistas por ter sido o único governador do PMDB a fazer oposição à candidatura de Dilma Rousseff apoiando o tucano José Serra, Zeca diz que há um acompanhamento das particularidades regionais.
"É claro que o PT nacional acompanha de perto as nuances da política regional. É claro que o Zé Dutra sabe que houve lideranças do partido apoiando outras candidaturas em Mato Grosso do Sul", explica, referindo-se a José Dutra, presidente nacional do PT, que também integra a CNB.
Levando em conta as tais "nuances", Zeca do PT diz que a situação dos cargos federais em MS será avaliada pelo PT junto com os partidos que fizeram parte do bloco esquerdista nas últimas eleições. "É importante frisar que não estou reivindicando nada para mim. Nós vamos discutir porque é um compromisso nacional", informa.
"Já há o compromisso e determinação da direção nacional para discussão dos cargos federais em MS entre os companheiros. Não vamos discutir com Puccinelli, não vamos discutir com PMDB. Isso é fato. Vamos discutir com PV, PDT, PP, PCdoB, PSL, PRP e PSDC", avisa.










