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Publicado em: 14/06/2018 às 08h52

Brasil quer meta de 95% de vacinação contra paralisia infantil após caso na Venezuela

Criança de comunidade indígena venezuelana contraiu doença erradicada das Américas desde 1994. Hoje, média de cobertura vacinal da poliomielite no país está em 77%.


G1

Foto: Divulgação/Semcom

Campanha de vacinação contra a parilisia infantil, realizada em Manaus (Amazonas). Zé gotinha é símbolo de campanhas contra a poliomielite desde os anos 1980

Ministério da Saúde quer que todos os municípios brasileiros atinjam a meta de 95% de crianças vacinadas contra a paralisia infantil. O alerta veio após uma criança não vacinada na Venezuela contrair o vírus da poliomielite no início do mês. Toda a América Latina, inclusive o Brasil, recebeu certificado de erradicação da doença em 1994.

 

Atualmente, a média de cobertura contra a poliomielite está em 77,5% de crianças vacinadas. No entanto, a literatura científica postula que campanhas de vacinação precisam atingir ao menos 95% do público-alvo para que uma doença fique sob controle.

 

"A situação requer atenção por parte da vigilância e imunização do Brasil uma vez que há um grande contingente de venezuelanos com livre acesso ao país e se deslocando para diversas UF, em especial as da Região Norte", disse o Ministério da Saúde.

 

Hoje, a vacina da poliomielite é admistrada em duas fases: na primeira, é dada três doses da vacina inativada (aos dois, aos quatro e aos seis meses). Na segunda fase, crianças recebem a vacina oral contra a paralisia infantil aos 15 meses e aos 4 anos.

 

O governo brasileiro espera que a meta seja atingida tanto na vacinação de rotina (a vacina contra a poliomielite é oferecida o ano inteiro), quanto nas campanhas em que se faz um esforço adcional para chamar a atenção da população. Neste ano, a campanha contra a poliomielite será feita entre 6 e 24 de agosto.

 

O alerta do Ministério da Saúde é especialmente importante porque o Brasil já sofreu recentemente a reintrodução de doenças que já estavam eliminadas do território. Esse ano, por exemplo, Roraima teve casos de sarampo importados da Venezuela. O sarampo já havia sido eliminado do país em 2016.

 

Entidades também reforçaram o alerta do Ministério da Saúde para que a doença não volte ao país.

 

"A poliomielite é uma doença grave, que pode levar à morte e causar outros impactos físicos, sociais e emocionais. Não podemos admitir que ela retorne ao país", disse a Sociedade Brasileira de Imunizações.

 

A Venezuela vive uma forte crise econômica, que tem abalado o setor de saúde. Em informe sobre o caso na Venezuela, a OPAS detalhou que a criança é residente de uma comunidade indígena no estado de Delta Amacuro, onde prevalecem condições de extrema pobreza.