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Publicado em: 13/07/2018 às 21h24

Promessa fica na campanha e gestão de Reinaldo responde por 80% dos leitos fechados em hospitais


O Jacaré - Edivaldo Bitencourt

Foto: Divulgação

Reinaldo suspendeu a obra do hospital de Três Lagoas e só a relançou tempo depois: só para tirar o mérito do antecessor, que tinha viabilizado financiamento?

Mato Grosso do Sul fechou 305 leitos hospitalares pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em 10 anos, conforme levantamento do Conselho Federal de Medicina. No entanto, 80% das vagas de internação em hospitais foram fechadas nos últimos 36 meses, período do mandato do governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

 

Durante a campanha eleitoral vitoriosa em 2014, o tucano criticava o então governador André Puccinelli (MDB), de não priorizar a saúde e responsabilizar os municípios pelo caos. “A saúde no nosso governo é prioridade numero um”, ressaltava Reinaldo, quando levava esperança à população ao prometer um “Novo Tempo”.

 

Na ocasião, o tucano até citada um número alarmante, de que 1,4 mil leitos tinham sido fechados no Estado.

 

Ao tomar posse no Governo em 1º de janeiro de 2015, Reinaldo suspendeu as obras de dois novos hospitais regionais, em Dourados (100 leitos), onde o Governo até já tinha gasto dinheiro, e Três Lagoas (138 leitos). Na época, alegou falta de recurso e necessidade de readequar os projetos.

 

Em abril deste ano, o governador inaugurou e fez intensa propaganda do Hospital do Trauma de Campo Grande (100 leitos), construído em parceria com a prefeitura e o Governo federal para atender vítimas de acidentes de trânsito. Três meses depois, a unidade segue fechada e os doentes com fraturas e traumas sofrem com a falta de leitos nos hospitais.

 

Com três novos hospitais sem sair do papel, a saúde regride em Mato Grosso do Sul. De acordo com o CFM, o número de leitos pela rede pública caiu 7,9% em oito anos, de 3.855 em 2010 para 3.550 neste ano. No Brasil, foram fechados mais de 34 mil leitos em hospitais.

 

Conforme o Ministério da Saúde, 247 leitos, 80% do total, foram fechados entre 1º de janeiro de 2015 e este mês, justamente o período em que a população apostou que seria beneficiada pelo “Novo Tempo”.
Há quatro anos, quando fazia campanha para conquistar o voto do eleitor sul-mato-grossense, Reinaldo até ridicularizar o argumento do antecessor para se eximir de responsabilidade sobre o problema. “Eu já ouvi algumas pessoas falarem assim ‘a saúde é municipalizada, isso é problema do prefeito’. Não é assim. Saúde é direito do cidadão e obrigação do Estado”, afirmava.

 

Só que a política de fechamento de leitos continuou na gestão tucana, como mostram os números do Ministério da Saúde.

 

O setor mais atingido com o fechamento de leitos, com queda de 16,2%, foi a obstetrícia, de 646 para 541 leitos entre 2015 e julho deste ano. O número de unidades na ala cirúrgica caiu 4,63%, de 1.146 para 1.109, e clínica oscilou negativamente em 3,22%, de 993 para 947. Até a pediatria teve perda de 2,93%, de 580 para 563.

 

A única exceção foi os leitos do Hospital Dia, com aumento de 10,29% na administração tucana, de 68 para 75.

 

Uma das poucas exceções foi a Caravana da Saúde, que teve nova edição concluída na Capital no dia 6 deste mês.

 

Mesmo obrigando a população a esperar longos anos por uma cirurgia da catarata, porque a regionalização da saúde não sai do discurso dos candidatos desde o século passado, os mutirões não fogem de polêmica.

 

Segundo o jornal Correio do Estado, a empresa 20/20 Serviços Médicos S/S foi contratada sem licitação e recebeu R$ 9,745 milhões dos R$ 16,2 milhões previstos com a Caravana da Saúde. O detalhe é que a empresa já foi alvo de ações por improbidade administrativa por realizar serviço semelhante em outros estados.

 

O agravante do fechamento de leitos é que pacientes em estado grave ficam em leitos improvisados em centros regionais de saúde e UPAs da Capital. Nem decisão da Justiça, determinando a solução do problema, conseguiu reverter a situação.

 

Caso fosse candidato da oposição hoje, Reinaldo poderia repetir a frase de 7 de julho de 2014: “Eu, governante do Estado, não construiria um aquário de forma alguma. Eu construiria o Hospital Municipal de Campo Grande. Daria isso como presente para a população da Capital e ajudaria com os equipamentos e o custeio. Temos que ter um governo que ajude também a custear as despesas”, afirmou.


Caso cumprisse a promessa, o Hospital do Trauma já estaria funcionando e não continuava fechado, porque o Governo federal não se dispõe a socorrer a população campo-grandense com o repasse mensal dos R$ 6,5 milhões necessários para colocar a unidade em funcionamento.

 

Como a campanha começa oficialmente depois da Copa do Mundo, que acaba domingo, quem sabe o tucano se lembra da promessa feita na campanha e decida colocar o Hospital do Trauma em funcionamento, garantindo 100 novos leitos para Campo Grande, porque a população, que arca com pesados impostos, não merece continuar sofrendo por mais tempo.

 

Ainda dá tempo para o “choque de gestão” prometido em 2014.