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Publicado em: 07/08/2018 às 15h49

Telepropina: dono da JBS diz que tinha ‘linha direta’ com Reinaldo na governadoria


Midiamax

Foto: Divulgação/Chico Ribeiro/Subsecom

Delator disse que conversava com governador por telefone fixo

 

Além de revelar à Polícia Federal que pagou R$ 70 milhões em propina ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB) no período de 2 anos, o dono da JBS Wesley Batista também deu detalhes de como as tratativas eram feitas. O executivo revelou existir um contato telefônico direto entre ele e o governador, uma espécie de “telepropina”.

 

As informações estão no depoimento prestado por Wesley à PF em dezembro do ano passado, em consequência de delação premiada. A transcrição foi anexada, há pouco mais de três meses, no inquérito contra Reinaldo que tramita no STJ (Supremo Tribunal de Justiça).

 

A propina, de acordo com executivos da JBS, incluindo o próprio Wesley, foi uma forma que a empresa encontrou, desde 2003, de obter benefícios fiscais em Mato Grosso do Sul. O contato entre Reinaldo e Wesley teria iniciado ainda na época da campanha eleitoral do tucano ao Governo do Estado, em 2014.

 

No depoimento, Wesley Batista explica que as reuniões entre os dois eram geralmente agendadas entre a secretária de Reinaldo e a secretária do executivo da JBS, que trabalhava no escritório da empresa, em São Paulo. “Que ligava do telefone do Palácio do Governo para a secretária do depoente [Wesley], no telefone fixo da sala do depoente na JBS”, conta o delator.

 

Ainda de acordo com o dono da gigante frigorífica, desde que Reinaldo assumiu o Governo do Estado as tratativas sobre propina mudaram. O que antes ocorria apenas pessoalmente, depois de 2015 passou a ser tratado também por telefone.

 

A ‘linha direta’ entre Reinaldo e Wesley partia do gabinete do governador, detalha o delator. “Eventualmente através de telefone fixo, entre os terminais da JBS e o do Gabinete do Governo do Mato Grosso do Sul”.

 

Wesley Batista também contou à Polícia Federal que parou de atender aos pedidos do governador em abril do ano passado, mas que o tucano insistia nos contatos. “Até início de maio de 2017 ainda houve ligações da secretária de Reinaldo Azambuja para a secretária do depoente [Wesley], tentando agendar reuniões entre ambos”, afirma o delator.

 

À PF, Batista ainda se comprometeu a buscar os registros telefônicos que comprovassem o fatos narrados, e anexá-los ao processo.

 

Outro lado

 

O advogado do governador Reinaldo, Gustavo Passarelli, afirmou ao Jornal Midiamax nesta segunda-feira (6) que seu cliente mantém ‘serenidade e tranquilidade’ diante dos fatos novos detalhados nas delações.

 

“É uma colaboração desacreditada, tanto que está sendo rescindida pela justiça. Ela está contaminada desde a origem”, argumenta Passarelli. Ele também cita a suposta participação do ex-procurador Marcelo Miller na elaboração do acordo, um dos motivos usados para desacreditar a delação premiada.

 

A defesa também alega que os donos da JBS respondem a um processo criminal, e que por isso apresentam alegações que não correspondem à verdade.