Adolescente conta ter conversado com Daniel dentro do quarto que Cristiana dormia

Adolescente e uma tia de Cristiana prestaram depoimento nesta terça-feira em Foz do Iguaçu; sete pessoas são rés no processo sobre a morte de Daniel


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Uma adolescente que estava na festa que terminou com a morte do jogador Daniel Correa disse, em depoimento, nesta terça-feira, que conversou com o jogador na suíte da casa, enquanto Cristiana Brittes dormia.

 

A garota, prima de Cristiana Brittes, e uma tia de Cristiana foram ouvidas na 2ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu. Os dois depoimentos duraram cerca de uma hora.

 

Daniel Correa foi morto em outubro de 2018. Sete pessoas são rés no processo: Edison Brittes, que confessou ter matado o jogador, Cristiana Rodrigues Brittes, esposa de Edison, Allana Emilly Brittes, filha do casal, além de Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King, David Willian Vollero Silva e Evellyn Brisola Perusso.

 

Dos sete réus, seis estão presos. Evellyn Perusso é a única que está em liberdade.

 

Nesta fase, a Justiça começou a ouvir testemunhas de defesa, de acusação e, por último os réus. Após as audiências, a juíza Luciani Martins de Paula decide se os réus vão ou não à júri popular.

 

No depoimento, a adolescente disse que o jogador conversou com ela na festa e na casa onde o crime foi registrado.

 

Ela disse que antes do crime, na casa da família Brittes, tentou usar o banheiro da área de festas, mas estava ocupado. Relatou que, como "tinha total intimidade de ir no banheiro do casal", foi até a suíte de Edison e Cristiana para usá-lo.

 

Segundo a adolescente, Cristiana estava dormindo neste momento. A garota afirmou que fechou a porta do quarto, encostou, deixou a porta do banheiro aberta, e foi fazer xixi. Foi neste momento que, de acordo com a jovem, Daniel chegou.

 

Alguém entrou no quarto, eu achei que era o marido dela, o Junior, o Edison, daí eu falei 'não entra, tô no banheiro, espera aí primo'. E ele continuou vindo, e eu falei 'cara, não vem'. E continuou vindo. E daí não era ele, era o Daniel. Parou na porta do banheiro e ficou olhando. Eu falei 'o que vc tá fazendo aqui? A festa é lá fora', disse a adolescente na audiência.

 

Ainda no depoimento, a adolescente afirmou que o jogador disse a ela que também precisava usar o banheiro.

 

Eu falei 'não, o que vão pensar se pegarem você aqui dentro do quarto do casal, com a guria dormindo?' Ele falou 'não, estou totalmente ciente que você tem namorado, você já me disse, e eu sei que ela é casada'. Eu falei 'então tudo bem'. Ele falou 'Eu só preciso usar o banheiro e eu vou sair'. Eu falei 'então está bom, quando você sair, fecha a porta do quarto, estava fechada a porta', contou a adolescente.

 

Corrupção de menor

 

Dos sete réus por envolvimento pela morte do jogador, seis são acusados de corrupção de menor. Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), eles cooptaram a adolescente a ajudar na limpeza dos vestígios de sangue na casa, após o crime.

 

O advogado da adolescente disse que a jovem contou na audiência que não ajudou a limpar o sangue, mas que fechou uma torneira que estava sendo utilizada para limpar o sangue deixado na casa.

 

A defesa da família Brittes disse que não houve cooptação de menor e que a adolescente só estava na festa porque foi convidada e porque é da família. A defesa não falou sobre a afirmação da adolescente, em relação à conversa que disse ter tido com Daniel na suíte da casa.

 

O G1 tenta contato com a defesa da família do jogador Daniel e dos outros citados.

 

Veja a lista com sete réus no processo e os respectivos crimes

 

Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e coação no curso do processo (preso);

 

Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor (presa);

 

Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de menor (preso);

 

Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor (preso);

 

Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor (preso);

 

David William da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e denunciação caluniosa (preso);

 

Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa e falso testemunho (responde em liberdade).


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