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Com Olimpíada adiada e futebol parado, atleta de MS treina por videoconferência

Bruna Benites, do Inter e da Seleção Brasileira, voltou da Europa em meio à declaração de pandemia pelo novo coronavírus

| JONES MáRIO / CAMPO GRANDE NEWS


Zagueira (ao centro) antes de partida na França, no dia anterior à OMS declarar pandemia (Foto: A2M/CBF)
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Revelada no extinto Águia Dourada, um dos times precursores do futebol feminino de Campo Grande, a zagueira Bruna Benites, 34 anos, hoje mantém a forma física em seu apartamento, em São Paulo (SP). Há pouco mais de duas semanas, a atleta do Internacional estava com a Seleção Brasileira na França, onde o novo coronavírus já matou 1,3 mil pessoas.

Bruna entrou em campo quando o Brasil empatou em 2 a 2 com o Canadá, no Stade de L'Épopée, em Calais, dia 10 de março, em jogo com portões fechados ao público. A OMS (Organização Mundial de Saúde) declararia pandemia pelo coronavírus no dia seguinte à partida.

O duelo era válido pelo Torneio da França, disputado em preparação para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. A competição, porém, foi adiada para 2021, bem como as Paralimpíadas.

Em entrevista ao Campo Grande News, Bruna Benites contou que voltaria para a Capital após seu clube suspender as atividades, no dia 17 de março. O receio pela mãe, já idosa, falou mais alto.

“Tinha cogitado ir para Campo Grande, ficar esse tempo em casa mesmo. Só que minha mãe tem 64 anos, faz parte do grupo de risco, achei que não seria adequado ir para casa, até porque recentemente eu voltei da Europa. Fiquei com um pouco de receio e optei por vir para São Paulo para ficar tranquila', lembra.

A atleta ficou frustrada com o adiamento dos Jogos de Tóquio, medida que só foi tomada após pressão da comunidade esportiva e decisão de países, como Canadá e Austrália, de não mandar seus atletas para a competição. Por outro lado, Bruna entende que a decisão foi correta.

“Tá sendo difícil para todo mundo. É algo novo, que muita gente não tinha vivido, essa questão de isolamento, de ter que se cuidar. É óbvio que, como atleta, para a gente é complicado o adiamento, é ruim, porque já estava muito perto dos Jogos Olímpicos. Então, você cria toda aquela expectativa. Dadas as circunstâncias, na minha opinião era o melhor a ser feito. Não esperava que ia ser de um ano. Esperava que fosse adiar, mas para um período mais curto', detalha.

Durante o período de isolamento, a zagueira do Inter e da Seleção Brasileira treina no apartamento mesmo. “Trabalhar em casa, treinar em casa, está longe do ideal e não tem como manter um nível de performance alto. A gente está tendo que adaptar, fazendo que pode', comenta.

Na rotina nova, a videoconferência tomou o lugar dos apitos e comandos. O piso da sala substitui o gramado. Mas as companheiras de time ainda treinam ao mesmo tempo.

“O clube vem passando alguns trabalhos pra gente fazer, então, nós temos reuniões via conferência, às vezes treina juntas. Tenho tido conferências também com o pessoal da Seleção. Essa foi a maneira que a gente encontrou para continuar trabalhando', finaliza.

Na Itália - O douradense Lucas Leiva, volante projetado pelo Grêmio e com passagem pelo Liverpool-ING, hoje está na Itália, mais precisamente em Roma. O país, novo epicentro da pandemia do novo coronavírus, já conta 7,5 mil mortes pela doença.

A reportagem tentou contato com o jogador de 33 anos, atleta da Lazio, mas não obteve resposta. Em postagem nas redes sociais, o douradense procurou reforçar os cuidados contra o vírus.

“Vejo muita gente dizendo que o coronavírus não mata tanta gente assim, que é somente uma gripe. Gostaria de deixar aqui meu apelo para que as pessoas, neste momento, não pensem somente em si. Se você evitar ao máximo o contato com as pessoas, automaticamente estará ajudando que o vírus não se espalhe. Vamos pensar em nossos pais, nossos avós e nas pessoas que o vírus pode atingir gravemente. Precisamos nos unir em todo mundo para que o contágio diminua a cada dia', escreveu. A mensagem foi transmitida também em italiano.

No Brasil, em estado de calamidade pública, já são 57 mortes e 2.433 casos identificados pelo ministério da Saúde.



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