Noite na 'zona', correria na rua e até banho de rio marcaram horas antes de assalto a aviões em MS

Mandante do roubo dos aviões é chefão do PCC, Laudelino Ferreira, que fugiu da Máxima em julho deste ano


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MIDIAMAX

(Reprodução)
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Ainda não se tem o paradeiro dos três aviões roubados no dia 6 de setembro, em um Aeroclube de Aquidauana a 135 quilômetros de Campo Grande, mas imagens obtidas pelo Jornal Midiamax mostram a quadrilha em carros indo em direção ao local para o roubo das aeronaves. O mandante do crime foi identificado como Laudelino Ferreira, chefão do PCC (Primeiro Comando da Capital).

Pelas imagens é possível ver quando os assaltantes passam em uma rua do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), que dá acesso ao Aeroclube. Nas imagens, os veículos passam depois de 1h da madrugada do último dia 6, sendo que algum tempo depois, um dos reféns passa correndo pela rua atrás de socorro.

Informações obtidas pelo Jornal Midiamaxsão de que o bando estava na cidade dias antes do roubo dos aviões. Os dois presos 12 horas depois do crime ainda teriam levado os bolivianos a um prostíbulo na cidade.  Cristhofer Cristaldo Rocha, 20 anos, estava na companhia dos autores na boate. Também foi apurado que o bando ainda teria sido levado por Cristhofer e Roger para um banho no rio.

O mandante do roubo das aeronaves foi identificado como Laudelino Ferreira, o ‘Lino’, membro do PCC (Primeiro Comando da Capital), que fugiu em julho deste ano da Penitenciária de Segurança Máxima. Ao todo, foram identificados 10 criminosos. Destes, seis foram identificados e estão com suas prisões decretadas e quatro ainda estão em processo de identificação — dois já foram presos.

Os criminosos invadiram o aeroclube por volta das 3 horas da madrugada de segunda (6). Eles, um total de 18, renderam o vigia e seus dois filhos. As vítimas foram amarradas com lacres próximo à grade do tanque de combustível enquanto as aeronaves eram abastecidas. Os três aviões foram levados. Foram momentos de terror que as vítimas enfrentaram.

Os criminosos estavam encapuzados, fortemente armados e com luvas. Eles tinham sotaque espanhol, mas havia brasileiros entre eles. A invasão ao hangar aconteceu pelos fundos na vila 40. Na fuga, acabaram deixando para trás ferramentas. Marcas de pneus não foram encontradas na região. O hangar, onde estavam os aviões, não tem sistema reforçado de segurança.

Informações passadas para o Jornal Midiamax pelo delegado Jackson Vale no dia do roubo eram de que, provavelmente, as aeronaves seriam usadas para o tráfico de drogas e que poderia ter o envolvimento de facções criminosas na ação, o que é muito característico neste tipo de crime. Os aviões teriam como destino a Bolívia e um alerta nacional foi feito pela FAB (Força Aérea Brasileira) após o roubo dos aviões.

A delegada que está à frente do caso, Ana Claúdia Medina, da Dracco, não descarta que o roubo dos aviões seria para o uso no tráfico de drogas, mas outras linhas de investigações não são descartadas.

‘Lino’ tem extensa ficha criminal e acabou preso em 12 de julho de 2010, na BR-262, em Terenos. Na época, ele era acusado de liderar uma quadrilha de roubo de carros e de ser o chefe do bando responsável pelo roubo de três aeronaves de uma empresa de táxi aéreo, em janeiro de 2004, em Corumbá.

Na ocasião, foi assassinado o piloto e empresário corumbaense Luiz Fernandes de Carvalho. A quadrilha liderada por Lino teria roubado 36 veículos num período de 18 meses, entre 2005 e 2006, apenas no lado brasileiro da fronteira de Corumbá com a Bolívia. No mesmo período, o bando foi apontado como responsável por 31 roubos de veículos em Arroyo Concépcion, Puerto Quijarro e Puerto Suárez.

Laudelino e outros dois envolvidos no roubo das aeronaves chegaram a ser presos pela Polícia da Bolívia com um dos aviões. No entanto, a justiça boliviana os liberou ainda no primeiro semestre de 2004. Foi então que eles passaram a agir na fronteira com Corumbá, roubando veículos em estradas que dão acesso aos assentamentos e dentro da Bolívia. A Polícia corumbaense chegou a espalhar cartazes com fotos do bando, mas não conseguiu prendê-los.

Lino ainda foi acusado de envolvimento no assassinato do cabo da Polícia Militar de Corumbá, Rudy Mendonça, 43, ocorrido em 19 de janeiro de 2006, na Estrada do Jacadigo.




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