Capital
Aeronave usada em grandes missões atua em treinamento internacional em Campo Grande
KC-390, da FAB, participa de exercício multinacional na Base Aérea
MIDIAMAX
Uma das aeronaves mais modernas da FAB (Força Aérea Brasileira), utilizada em missões de combate a incêndios florestais, resgates internacionais e operações humanitárias, está em Campo Grande para um treinamento multinacional voltado à resposta a desastres naturais.
Durante entrevista ao Midiamax, o comandante do 1º Grupo de Transporte de Tropa da FAB, tenente-coronel Daniel de Souza, explicou como funciona o sistema utilizado na aeronave KC-390 Millennium para combater incêndios, tecnologia que já foi empregada em operações como as do Pantanal.
Segundo ele, o KC-390 é considerado uma aeronave multimissão, capaz de atuar em diferentes tipos de operação. “O KC-390 é uma tecnologia nacional, fabricada há cerca de três anos no Brasil. A gente chama o KC-390 de multimissão, porque ele faz diversas missões diferentes”, afirmou.
Uma dessas missões é justamente o combate a incêndios florestais. Para isso, o avião recebe um equipamento específico, chamado Maffs (Modular Airborne Firefighting System), que transforma a aeronave em um grande tanque aéreo.
“O tanque do Maffs tem capacidade para 12 mil litros de água; portanto, a gente consegue fazer várias passagens despejando água sobre o foco de incêndio”, explicou o comandante.
O reabastecimento também é rápido para manter o ritmo das operações. De acordo com o oficial, o processo leva cerca de 20 minutos.
“A comissão de incêndio tem que ser rápida. Do lado de fora, tem dois recipientes, que a gente chama de piscinas, que são cheios de água. Quando a aeronave pousa, uma bomba abastece automaticamente o Maffs, e a gente decola novamente”, detalhou.
Nas missões de combate a incêndio, a tripulação costuma ser composta por dois pilotos, um mecânico e um mestre de carga, responsável por operar o sistema de lançamento de água.
Mais de 1 milhão de litros no Pantanal
O KC-390 equipado com o sistema Maffs já foi empregado em diversas operações reais no Brasil. Um dos exemplos citados pelo comandante ocorreu durante o combate aos incêndios no Pantanal.
Segundo ele, apenas na operação realizada em 2023, a aeronave despejou mais de 1 milhão de litros de água sobre focos de incêndio na região.
“Participamos da Operação Pantanal e despejamos mais de um milhão de litros de água no combate ao fogo. Foi com esse equipamento e apenas uma aeronave”, relatou.
Missões humanitárias e resgates internacionais
Além das operações contra incêndios, o KC-390 também tem sido utilizado em diversas missões humanitárias e de resgate.
A aeronave participou, por exemplo, do resgate de brasileiros no Líbano e da retirada de nacionais na Europa durante o início da guerra na Ucrânia, quando militares brasileiros foram até Varsóvia, na Polônia, para trazer cidadãos de volta ao país.
Também foi empregada em missões humanitárias recentes, como no Rio Grande do Sul, durante as enchentes, e em diversas operações logísticas durante a pandemia de covid-19.
“Essa aeronave tem sido muito empregada em prol da sociedade, principalmente na questão humanitária”, afirmou o comandante.
Treinamento internacional em Campo Grande
O KC-390 está entre as aeronaves utilizadas no Exercício Cooperación XI, treinamento multinacional realizado entre os dias 16 e 27 de março, na Base Aérea de Campo Grande.
O exercício reúne cerca de 1.200 militares das Forças Armadas brasileiras e de delegações de países das Américas para simular respostas a desastres naturais, como incêndios florestais, operações de busca e salvamento e evacuação aeromédica.
Participam do treinamento militares de 14 países, entre eles, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México, Paraguai e Peru. Ao todo, cerca de 18 aeronaves são empregadas nas atividades, incluindo aviões de transporte, vigilância e helicópteros.
O objetivo é aprimorar a coordenação entre as Forças Aéreas das Américas e fortalecer a capacidade de resposta rápida em situações de emergência.
Durante o exercício, os militares treinam tanto em missões simuladas quanto em operações reais de voo, incluindo cenários de combate a incêndios semelhantes aos enfrentados em grandes tragédias ambientais.










