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Em duas horas, chuva alaga ruas, invade casas e deixa famílias 'ilhadas' em Dourados
DOURADOSNEWS
Famílias de Dourados ainda contabilizam móveis, eletrodomésticos e até alimentos que perderam com o alagamento de casas, após intensa que caiu na cidade na manhã desta quinta-feira, dia 5.
De acordo com o Guia Clima da Embrapa Agropecuária Oeste, foram 64.9 mm em pouco mais de duas horas, volume suficiente para deixar um rastro de prejuízos em diversos bairros. A chuva começou por volta das 4h da madrugada, mas a maior parte do volume caiu entre 7h e 9h.
CASAS ALAGADAS
A equipe do Dourados News esteve em residências de famílias da região do BNH 4º Plano. Na rua Jandaia esquina com General Osório, próximo ao acesso à BR-463, era possível ver moradores saindo de casa com água até o quadril.
A aposentada Benedita Leite, de 82 anos, mora nessa esquina há 38 anos e conta o desespero de ver a casa encher de água. “A geladeira começou nadar lá em cima, a máquina de lavar também ficou 'em pé'. O banheiro, a água subiu assim do vaso”, conta mostrando com as mãos que a água chegou praticamente à sua cintura.
Ela conta que a casa foi a primeira que teve e que pretende voltar, mesmo com a insistência dos filhos de que ela saia do local. “Entrou água assim por baixo, estava ‘fofo’ o piso, você acredita que a água estava entrando por ali? Aí eu estou com medo da casa cair”, relata a idosa.
A dona de casa Luzia Ramos Flor, de 46 anos, mora há poucos metros desse mesmo local, na rua General Osório. Ela tem filhos de 24, 19 e um ano de idade.
“Eu tenho um bebê pequeno e quando ele dorme, eu aproveito e durmo com ele, mas eu não vi que estava inundando a casa. Quando a minha filha acordou, a casa já estava assim. Não deu tempo de pegar nada de dentro. Eu perdi tudo. Perdi meus alimentos, perdi a geladeira. Eu perdi meus ventiladores, tudo. Guarda-roupa, minhas roupas. Não dá para tirar”, afirma.
A irmã dela não conseguiu levantar devido a uma deficiência que a impede de andar. Ela permaneceu deitada na cama sob observação da família e a água quase atingiu a altura do colchão. “Vamos tirar ela dali daqui a pouco. Eu vou ir lá para a casa da minha filha, porque eu não tenho condições de ficar aqui”, afirmou.
Na casa da vizinha dela, a situação não é diferente. Quando a equipe do Dourados News chegou, a proprietária estava abraçada com duas cachorras, sentada em um sofá que estava em cima de uma mesa.
Foi ela quem chamou a irmã, a cabelereira Vilma Ramos da Silva, 60 anos, para socorrer. “A gente saiu juntando para não inundar”, conta ela, relatando que só salvou as camas e alimentos que correram para tirar dos armários.
Em outras casas que o jornal visitou, havia sofás encharcados, colchões, fotos de família, livros didáticos, decoração, entre outros, além de muitas folhas, lama e sujeira que entraram junto com a força da água para dentro das residências.
MAIS ESTRAGOS
Conforme adiantado pelo Dourados News, outras regiões da cidade também foram impactadas. Um carro ficou submerso debaixo do túnel do bairro Parque das Nações e o marido da condutora precisou nadar até o veículo para conseguir resgatá-la.
De acordo com a Semsur (Secretaria Municipal de Serviços Urbanos), esse alagamento foi provocado foi um galho de árvore que bloqueou a passagem de água por um bueiro e a desobstrução já aconteceu.
Ainda conforme o órgão, houve transbordamento de córregos comprometendo residências próximas às suas margens ou em ruas que ficam mais baixas, como é o caso das que estão no BNH 4º Plano e na Vila Cachoeirinha, afetadas pelo córrego Água Boa.
O córrego Engano também teria transbordado, afetando a região dos Parques das Nações I e II, e o Paragem, próximo à ponte da Rua Mozart Calheiros, no Jardim Água Boa.
A prefeitura ainda divulgou que a Defesa Civil está no atendimento às ocorrências, e que houve quedas de árvores e galhos de grande porte provocando obstruções em vias públicas e comprometendo a circulação de veículos. No entanto, não há relato de feridos.
A orientação da Defesa Civil à população é evitar atravessar ruas alagadas, não se aproximar de árvores com risco de queda e manter distância de fios elétricos caídos, acionando o órgão em caso de emergência através do telefone 199.
MAIS TEMPESTADE
Ainda são monitoradas as condições meteorológicas, já que a cidade continua em alerta laranja de tempestade, publicado pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).
Classificado com grau de severidade ‘perigo’, o aviso teve início no primeiro minuto desta quinta-feira e segue até 23h59.
A previsão ainda é de que continue chovendo no município, pelo menos, até domingo, dia 8.
Somente nestes primeiros dias de novembro já choveu 107 milímetros, mais de dois terços do esperado para todo o mês, conforme a média histórica apontada pelo Guia Clima.











