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Médica é afastada por chamar mulher de evangélica do demônio
Cirurgião-dentista também foi desligado do cargo em razão do caso
PLENO NEWS
Um caso de intolerância religiosa resultou no afastamento de dois profissionais de saúde em Serra Preta, no interior da Bahia. Uma médica e um cirurgião-dentista ironizaram uma agente comunitária de saúde nas redes sociais, chegando a chamá-la de “evangélica do demônio” e “bicha burra”.
No vídeo postado por um dos envolvidos, a dupla comentava sobre uma pré-conferência realizada para levantar sugestões para a próxima conferência municipal de saúde:
– Saímos agora de uma reunião com agentes de saúde, e tem uma evangélica do demônio que, em um dia de visita, mandou um paciente mastigar alho ao invés de tomar o remédio de pressão – ironizou a médica.
– O que foi que a diva falou? “Temos que deixar o paciente tomar chá porque o remédio não cura nada, remédio não cura diabetes” – adicionou o cirurgião-dentista.
– Claro, é uma doença que tem tratamento, não vai curar uma doença incurável. Uma bicha burra que não sabe a diferença entre cura e tratamento – prosseguiu a médica.
Na sequência, os dois voltam a ironizar a religião da agente de saúde, que é integrante da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
– Ela diz que algumas pessoas vão morrer no sábado e domingo. No sábado os que vão ser salvos, no domingo os pecadores, entendeu? Ela vai morrer no sábado porque ela não é pecadora. Se ela soubesse o que eu fiz nesse final de semana, ela ia dizer que eu ia morrer três vezes no dia dos pecadores – assinalou a mulher.
Em dado momento da conversa, o cirurgião-dentista também afirmou que a agente de saúde “não sabe escrever”.
Segundo informações do portal G1, o vídeo em questão vazou da rede social e começou a circular no WhatsApp. Em reposta, a Prefeitura de Serra Preta decretou o afastamento dos funcionários e afirmou repudiar a postura de ambos, ponderando que trata-se de desrespeito e negligência com os deveres do serviço público.
A gestão municipal também informou que a agente comunitária trabalha há 27 anos na cidade e que não há registros de que ela oriente de forma recorrente a substituição de medicamentos por produtos como alho ou chá.
– Até o momento não é possível afirmar que essa prática ocorria sempre, uma vez que não havia qualquer registro ou comunicação prévia que chegasse ao conhecimento da administração – disse a prefeitura, reforçando ainda a importância da diversidade religiosa, ética no ambiente de trabalho e atendimento humanizado à população.











