Lula protocola documento no TSE e no STF em que diz que libera a divulgação de sigilos dele e de parentes se Flávio também o fizer

Na manifestação, petista diz estar disposto a divulgar sigilos da esposa e dos cinco filhos, incluindo Lulinha, que é alvo de apurações da PF. Mas Lula condiciona o ato à divulgação de dados de Flávio, que é investigado em inquéritos no STF


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G1 MS

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, discursa durante um comício de campanha antes do segundo turno das eleições presidenciais, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, em 19 de out
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O candidato do PT à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou nesta terça-feira (20) um documento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que afirma que autoriza a liberação de seus sigilos bancário, fiscal e eletrônico relativos aos últimos 8 anos, e também os de seus parentes, desde que o seu adversário na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), faça o mesmo.


Lula tomou a medida após desafiar Flávio, no debate realizado pela Band no último domingo (18), a divulgar os sigilos. O petista reiterou o desafio durante entrevista concedida nesta segunda-feira (19), em Porto Alegre (RS), onde cumpriu agenda de campanha.
 

Nesta terça, durante entrevista em São Luís (MA), Lula comentou o envio do documento ao TSE.
 

"Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele", disse o candidato do PT à reeleição.
 
O presidente também apresentou uma manifestação com o mesmo teor ao Supremo Tribunal Federal (STF).


No debate da Band, Flávio afirmou não ter "absolutamente nada a esconder", mas não afirmou se vai autorizar a quebra do sigilo.


De acordo com a petição apresentada pela defesa de Lula ao TSE, a liberação e a ampla divulgação dos dados – seja por meio do sistema Divulga CandContas da Corte Eleitoral, ou de outro site de acesso público – vão abranger os seguintes familiares de Lula:
 

Rosângela Lula da Silva, a Janja, esposa do presidente;
Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha;
Marcos Cláudio Lula da Silva, filho;
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho que é alvo de investigações da PF;
Sandro Luís Lula da Silva, filho;
Luís Claudio Lula da Silva, filho.
 
Os filhos de Lula já manifestaram que estão de acordo com a liberação dos dados.

 

A defesa do candidato, inclusive, juntou ao documento protocolado, na tarde desta terça (20), procuração dos familiares informando que eles autorizam a quebra dos sigilos.


O texto também estende a liberação de sigilos de empresas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros ou "usuários master".


No caso de Lula, foi citada a empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., da qual é sócio não administrador.


A expressão "usuário master", utilizada pela defesa de Lula de forma irônica no documento, é uma referência a reportagens que apontam que Flávio foi cadastrado como 'usuário master' em uma conta bancária de uma empresa pertencente ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro.


A defesa de Lula propõe a divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos de ambos os candidatos antes da próxima quarta-feira (21). Para os advogados, a medida é fundamental para assegurar que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir o seu voto.


Éden Valadares, secretário da campanha do petista, afirmou que a medida proposta por Lula tem respaldo na Constituição, que preza pela probidade administrativa, moralidade e prevê a análise de vida pregressa para o exercício de mandatos.

 

"Lula toma uma iniciativa histórica, que risca no chão a diferença dos candidatos, dando transparência a todo o seu sigilo e desafia o adversário a fazer o mesmo. Quem não deve, não teme", disse Valadares.
 
A petição apresentada ao TSE foi distribuída, por sorteio, ao ministro André Mendonça, que será o relator desse caso.
 

Sigilos de Flávio
 
Lula condiciona a liberação dos seus sigilos e os de parentes à autorização, por Flávio Bolsonaro, da divulgação dos sigilos dele e dos seguintes familiares:
 

Jair Bolsonaro, pai;
Rogéria Bolsonaro, mãe;
Carlos Bolsonaro, irmão;
Eduardo Bolsonaro, irmão;
Jair Renan Bolsonaro, irmão;
Fernanda Bolsonaro, esposa.
 
E também das seguintes empresas ligadas ao candidato do PL:
 

Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia;
All In One Corretora de Seguros Ltda;
Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação Ltda;
Bolsonaro Digital Ltda;
Alcazar Holdings, empresa de propriedade de Willer Tomaz, que tem uma conta em que Flávio foi cadastrado como "usuário master".
 
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal. Um deles, sobre lavagem de dinheiro, investiga a relação do candidato do PL com o advogado Willer Tomaz.


O outro inquérito trata do financiamento de "Dark Horse", uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Essa investigação apura negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme.

 

A defesa do senador tem negado irregularidades nas investigações, afirmando que não há envolvimento em ilícitos e criticando a divulgação de peças sigilosas durante o período eleitoral.
 


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