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Paciente com suspeita de ebola é transferido para o Rio
Homem de 47 anos chegou da Guiné em 19 de setembro e estava internado em Cascavel (PR). Ele será examinado na Fundação Oswaldo Cruz
Chegou ao Rio na manhã desta sexta-feira o missionário de 47 anos suspeito de ter contraído o vírus ebola na Guiné, na África Ocidental. Souleymane Bah chegou ao Brasil em 19 de setembro, em voo que fez escala no Marrocos. Ele estava internado em Cascavel (PR) e viajou em um jato da Força Aérea Brasileira. O avião pousou na Base Aérea do Galeão (Ilha do Governador) por cerca das 6h30. Medidas de segurança e proteção foram tomadas. Na pista, esperavam o paciente uma ambulância do Corpo de Bombeiros e três profissionais de saúde, que usavam aventais e máscaras. O paciente será examinado no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O primeiro caso suspeito de ebola no Brasil foi comunicado na noite desta quinta-feira pela Secretaria de Saúde do Paraná ao Ministério da Saúde. Assim que a possibilidade do contágio foi identificada, o paciente foi mantido isolado no Pronto Atendimento (UPA) Brasília II, em Cascavel (PR), cidade que fica a 500 quilômetros de Curitiba. O homem teve febre nos últimos dois dias, mas não apresentou hemorragia, vômito ou outros sintomas que caracterizam a infecção por ebola. Outras suspeitas são de que ele tenha malária ou dengue.
Por precaução, toda a unidade foi colocada em quarentena, assim como um número não divulgado de funcionários do centro médico. Pacientes que estavam na UPA de Cascavel foram transferidos para outros hospitais. Equipes do Ministério de Saúde e da Secretária Estadual estão a caminho do local. A expectativa é que o paciente seja transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio, referência nacional para casos de ebola, na manhã desta sexta. O transporte será feito em uma aeronave da Polícia Rodoviária Federal.
Prevenção - O superintendente de Vigilância em Saúde do Paraná destacou que o caso é apenas uma suspeita e que não há motivo para pânico entre os moradores da cidade. \"Essa é uma doença que só se transmite com contato com secreções, sangue. Não há a mínima possibilidade de uma pessoa que esteve no mesmo ambiente, sem tocar no paciente, pegar ebola. Reforço que a população de Cascavel está segura\", afirmou.
A notícia aparece no mesmo dia em que o Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que, embora baixo, existia o risco de o Brasil registrar um caso da doença. Pela manhã, ele disse que o sistema de vigilância montado era adequado e que instituições de saúde estavam em treinamento constante para identificar casos suspeitos e para adotar as medidas de segurança necessárias, caso isso ocorresse.
O mundo enfrenta a pior epidemia de ebola da história. Foram registrados 8.011 casos na Guiné, Libéria e Serra Leoa, com 3.857 mortes, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde. Nigéria, Senegal, Estados Unidos e Espanha apresentaram transmissões localizadas. Juntos, foram contabilizados nestes países 21 pacientes com a doença e oito mortes.
Vírus Transmitida por um vírus, a doença é fatal em cerca 65% dos casos. A infecção ocorre através do contato com sangue, fluidos corporais da pessoa infectada ou do animal doente, como macacos, capivaras e porcos-espinhos. Ao contrário de outras doenças, no entanto, a transmissão ocorre quando o paciente já apresenta os sintomas da infecção. Os principais são febre, fraqueza, dores abdominais, vômito e hemorragias. A incubação período entre o contágio e a manifestação dos primeiros sintomas pode variar entre 2 a 21 dias. Não há remédio específico para o ebola.
Em agosto, o Centro de Operações de Emergência em Saúde do governo federal acionou o nível dois de emergência, o penúltimo na escala de gravidade, que permite o deslocamento de equipes federais para regiões com suspeita da doença no país sem a necessidade de autorização dos governos locais.
Desde que a Organização Mundial de Saúde decretou emergência, o Brasil adotou um conjunto de medidas para prevenir a transmissão e permitir a rápida identificação de um caso suspeito da doença, com isolamento e tratamento.










