Geral
IML diz que jovem morta por raio no litoral de SP não estava grávida
Exames feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) de Santos,no litoral de São Paulo, constataram que Kátia Boaretto, que morreu após seratingida por um raio em Praia Grande, na tarde desta segunda-feira (29),não estava grávida. A informação contradiz a versão passada pelo Serviço deAtendimento Móvel de Urgência (Samu) e pela Prefeitura de Praia Grande.
Kátia estava na praia com o marido, Luciano D\\'Alessandro, ecom seus tios, Zenildo Tadeu Vieira, coronel aposentado da Polícia Militar, de69 anos, e Andrea Boaretto, de 41. Os quatro sofreram paradascardiorrespiratórias após serem atingidos pela descarga elétrica, chegaram aser socorridos, mas não resistiram.
Tragédia
O incidente com um raio que matou quatro pessoas em Praia Grande foi o segundocaso com o maior número de vítimas fatais simultâneas envolvendo o fenômeno nopaís. Os dados foram divulgados pelo Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat),órgão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O caso com maisvítimas fatais atingidas por um raio no Brasil aconteceu na década de 30,também na Baixada Santista, em Santos, quando seis pessoas morreram.
No total, 49 raios atingiram as cidades de Praia Grande eSantos durante a tempestade desta segunda-feira, entre 14h e 17h. O Brasil é opaís com a maior incidência do fenômeno no mundo, com 50 milhões de raios porano.
Guarda-sol
Autoridades envolvidas no atendimento às vítimas explicaram o incidente para aimprensa em uma entrevista no auditório do Hospital Irmã Dulce, no bairroBoqueirão. O guarda-sol sob o qual o grupo se abrigou durante a tempestade podeter atraído a descarga elétrica.
O capitão acredita que a falta de informação com relação aosperigos de descargas elétricas contribuiu para a tragédia. \"Nesse caso,não acredito que houve imprudência. Acredito que, de um modo geral, falteinformação à sociedade. Eles se abrigaram sob um guarda-sol, objeto que atrairaios, assim com as árvores. Imediatamente após o fato, ainda era possívelencontrar pessoas na faixa de areia, sob lugares que atraem raios\",afirma.
As vítimas
A polícia identificou ainda na segunda-feira que as quatro vítimas da queda deraio em Praia Grande eram da mesma família. Luciano DAlessandro e KátiaBoaretto moravam em Jacareí, cidade da região do Vale do Paraíba. Já o coronelaposentado da Polícia Militar Zenildo Tadeu Vieira e a esposa, Andrea Boaretto,eram da capital paulista. Um parente do casal Kátia e Luciano afirmou que elespassavam férias em Praia Grande.
Além das vítimas fatais, outras quatro pessoas foramatingidas durante o incidente, sendo que uma encontra-se internada em estadoestável, a ambulante de Praia Grande Regina Célia Freitas Nogueira, de 51 anos.Uma mulher e suas duas filhas, turistas de Franca, no interior paulista, estãofora de perigo. Elas passaram por avaliação buco-maxilo-facial no Hospital IrmãDulce, por apresentarem ferimentos no rosto, e foram liberadas.
Enterros
O casal Kátia e Luciano, que morreu após ser atingido pelo raio, será velado eenterrado nesta terça-feira (30) em São José dos Campos (SP). O velórioacontece na Urbanizadora Municipal (Urbam), na Vila Industrial, e o enterro nocemitério Horto São Dimas, às 16h.
Já os corpos do casal Andrea e Zenildo são velados noBatalhão da Polícia Militar de Tremembé, e o enterro será no Cemitério ChoraMenino, no bairro Santana, na capital paulista, às 16h30.
Testemunhas
A dona do quiosque próximo de onde o raio caiu relatou os momentos de pânicovividos por quem estava no local. Helena Motta afirma que ouviu um barulhoparecido com o de uma explosão, instantes antes das pessoas caírem no chão.\"Na hora não consegui pensar em nada. Teve um barulho parecido com umaexplosão e vi o raio descendo, antes de um clarão. No momento em que issoaconteceu, eram mais de 20 pessoas no local, entre as que voltavam do mar e asque estavam onde o raio caiu\", afirma.
A comerciante disse que ficou paralisada após a descarga ecomeçou a reunir as pessoas que conseguiram correr para dentro de seuestabelecimento. \"Eu não quis ir ver, porque tinha até uma pessoa com umaparte do rosto toda escura, parecia queimado ou sangue. Não dava para saber comcerteza\", afirma.
Helena diz que nunca presenciou algo parecido antes.\"Algumas pessoas chegaram chorando depois do raio. Na hora, o pessoalficou em pânico. Foi quando os bombeiros chegaram com macas, trouxeramviaturas. Infelizmente é triste\", conclui.
O metalúrgico André de Almeida também presenciou oincidente. \"Meu irmão entrou na água, como ele tem um problema, fui comele. O raio caiu na beirada da praia e todo mundo foi para o chão.
Quem maissofreu foi o idoso, porque ele caiu e na hora ficou com os olhos arregalados. Amenina que estava com ele já começou a sangrar pelo nariz. Um parente meu chegoua desmaiar após o impacto do raio. Já estava trovejando bastante antes do raiocair. O tempo fechou\", relata.











